Estava na hora. Os canoenses não agüentam mais os escândalos e ilegalidades de meia dúzia de poderosos. Nunca puderam contar com o Executivo, justamente o poder inundado por este bando. Há muito tempo não contam com o Poder Legislativo, vergonhosamente submisso às vontades do prefeito Marcos Ronchetti e, principalmente, pelo verdadeiro mandante da política canoense, o secretário de Governo Francisco Fraga. Mas, agora sabemos, as atenções do Judiciário estão, e muito, voltadas à cidade para fazer o que todos esperam, a verdadeira Justiça.domingo, 30 de março de 2008
Justiça bloqueia bens do prefeito Ronchetti e dos secretários Fraga e Zandonai
Estava na hora. Os canoenses não agüentam mais os escândalos e ilegalidades de meia dúzia de poderosos. Nunca puderam contar com o Executivo, justamente o poder inundado por este bando. Há muito tempo não contam com o Poder Legislativo, vergonhosamente submisso às vontades do prefeito Marcos Ronchetti e, principalmente, pelo verdadeiro mandante da política canoense, o secretário de Governo Francisco Fraga. Mas, agora sabemos, as atenções do Judiciário estão, e muito, voltadas à cidade para fazer o que todos esperam, a verdadeira Justiça.sexta-feira, 21 de março de 2008
Jornalista Paulo Henrique Amorim "foi expulso do portal do IG"

A blogosfera brasileira ficou estarrecida hoje com a notícia de que o blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, foi expulso do portal IG. Não concordo com tudo o que Paulo Henrique escreve, mas nós do Acerto de Contas sabemos muito bem o que é ser expulso de um grande portal pelo simples fato de escrever com liberdade.
O problema é que os donos da mídia ainda não descobriram que é inútil brigar contra a blogosfera. Viemos para ficar. Criando uma rede de informação democrática em que todos podem ser emissores, acrescentando conteúdo, contestando, interferindo. E não apenas passivos receptores, como a grande mídia tanto está acostumada.
Liga não, Paulo Henrique. Sabe o que aconteceu com o Acerto de Contas? Só fizemos crescer desde que nos tornamos independentes. Nossa audiência ficou mais qualificada. Enfim, nos tornamos melhores.
Eis abaixo a explicação do jornalista sobre o ocorrido. O IG ainda não se pronunciou.
ESCLARECIMENTO
O Conversa Afiada ficou fora do ar por 08 horas e 58 minutos.
Breve, escreverei um Máximas e Mínimas para tentar explicar o que aconteceu.
O iG se limitou a enviar uma notificação assinada por Caio Túlio Costa, para avisar que o contrato se rescindia de acordo com clausula que previa um aviso prévio.
Não é a primeira vez que me mandam embora de uma empresa jornalística.
Só o Daniel Dantas me “tirou do ar” duas vezes: na TV Cultura e no Uol.
E ele sabe que não vai me tirar, nunca …Com isso, se encerrou a vida deste blog num portal da internet.
Nenhum blog de relevância política nos Estados Unidos, por exemplo, está pendurado num portal.
Clique aqui para ver: http://www.huffingtonpost.com/ ou http://www.talkingpointsmemo.com/, para ficar em dois dos melhores exemplos.
Essa é a virtude a internet: último reduto do jornalismo independente.
Assim, se você acha que o Farol de Alexandria e o presidente eleito são dois impostores; se você gosta do Festival do Tartufo Nativo; se acha que o PIG, além de ilegível, não tem salvação; que os portais da internet brasileira são uma versão - para pior - do PIG; que a Veja é a última flor do Fascio; que o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello deveria ser impeached; que Daniel Dantas deveria estar na cadeia;que Carlos Jereissati e Sergio Andrade vão ficar com a “BrOi” sem botar um tusta; que a “BrOi” significa que o Governo Lula vai tirar Dantas da cadeia; que chega de São Paulo, porque está na hora de um presidente não-paulista etc etc etc … se você acha tudo isso, continue a visitar o Conversa Afiada neste novo e renovado espaço.
Em tempo: o Conversa Afiada anuncia publicamente que não é candidato a nada no iBest. Nunca levou isso a sério. Não vai ser agora que vai levar.
Muitas novas atrações virão.
Até já !
Paulo Henrique Amorim
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(Extraído "ipsis letteris" do Blog Acerto de Contas
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Em Editorial o IG dá a sua versão à saída (?) do jornalista Paulo Henrique Amorim do portal IG, onde assinava o Blog "Conversa Afiada", sob o título "Sobre a saída de Paulo Henrique Amorim do IG".
Depois de um lero-lero tradicional, bem ao estilo dos corruptos quando entrevistados ou ouvidos em audiências, o Editorial, assinado por Caio Túlio Costa, diretor presidente do IG, deixa bastante claro os motivos que levaram a direção do IG a demitir, ou "expulsar", como citou o Blog Acertos de Contas, o jornalista PHA, quando diz: "O IG segue firme na determinação de ser um portal que aposta na pluraridade de opiniões, no respeito à liberdade de expressão e no protagopnismo dos internautas".
Ora, para quem acompanhava com certa assiduidade o Blog "Conversa Afiada", do jornalista Paulo Henrique Amorim, sabe e inteligentemente conclui que, no mínimo, houve pressões dos pontos onde mais Amorim batia: Rede Globo, revistas Épocas e Veja, Folha, além dos intocáveis FHC - Fernando Henrique Cardoso, José Serra, o "orelhudo" Dantas e, por fim, depois do sucesso que começou a ter o concurso "Tartufo Nativo", onde essas empresas e figuras despontavam disparados na indicação dos internautas protagonistas.
O IG, no seu Editorial, fala em "liberdade de expressão". Pois bem, onde está a coerência dessa afirmação se "expulsaram" um jornalista de reconhecida capacidade profissional e opinativa? O IG, e nem precisa de uma análise mais aprofundada, deveria, a partir de agora, pontuar o concurso "Tartufo Nativo", sem dúvida.
PHA cesurado??? E a propalada Liberdade de Imprensa ???

Pelo que deixa a entender Mino Carta, Paulo Henrique Amorim teria sido demetido (ou seria "censurado? Se isso, onde a liberdade de imprensa tão propalada e defendida?), porque era assíduo contestador de uma mídia, que formava o que ambos - Carta e Amorim - passaram a chamar de PIG - Partido da Imprensa Golpista, comprometida com a manipulação, tendo como alvos, primeiramente, a alienação dos leitores e internautas; segundo comprometida com o que passou-se a chamar de "elite branca". Essa, não há como não concluir, é a tão propalada e defendida LIBERDADE DE IMPRESA (?) pretendida pela mídia que se enquadra no PIG.
O jornalista Mino Carta, que assinava o Blog do Mino, deixou o portal IG em solidariedade a Paulo Henrique Amorim, conforme declara em seu último post, abaixo:
"O último post - Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.
enviada por mino
(comentar 764 comentários) (envie esta mensagem) (link do post)"
Eis aí, portanto, ipsis letteris, a última postagem do Blog do Mino, publicada no dia 19/03/2008.
Limpeza Pública: A Prefeitura cobra bem e não presta o serviço

Enquanto a Prefeitura Municipal de Canoas, onde não se tem constatado qualquer caso ou suspeita de dengue, através da SEMPA, tem promovido a visita de orientadores e asssistentes da saúde para conscientizar os moradores quanto os cuidados e os riscos que o "mosquito da dengue" pode provocar, quando os moradores não procedem a limpeza de garrafas, vasilhames e outros locais de acúmulo de água.Por sua vez a Prefeitura Muinicipal de Canoas, que arrecada aproximadamente R$ 12 milhões com a "Taxa de Limpeza Pública", não tem feito a sua parte como contrapartida ao que é - e bem - cobrado dos contribuintes.
Nesta edição a Gazeta de La Stampa denuncia e mostra, com fotos de diferentes ruas e logradouros públicos, o abandono, o mau cheiro, os prejuízos à saúde e a formação de locais propícios ao desenvolvimento do "mosquito da dengue". Tudo isso, apesar da SEMPA gastar bom dinheiro em pseudas campanhas de orientação à população sobre os riscos da dengue. ´E como ensina o ditado popular: "Faça o que eu digo, não o que eu faço". Ou seja, a Prefeitura cobra muito bem - e pior, em carnet anexo ao IPTU e outras taxas, o que impede qualquer possibilidade do contribuinte questionar o valor da Taxa de Limpeza Pública ou até mesmo do IPTU, sem que, em não paganado para reclamar, atrase os demais tributos.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Veja = Carta Capital: A Imprensa mal intencionada
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Há uma persistente insistência na luta pela liberdade de imprensa. E sem liberdade de imprensa, é fato sabido e consumado, não há democracia. Sem democracia não há liberdade de expressão. Porém, por outro, vemos a erroneamente chamada de grande mídia torcer e distorcer os fatos de forma desabrida e indisfarçada, explícita e descarada.
Nas edições de 23.02.2008, das revistas Carta Capital e Veja, vemos um exmplo indubitável de má intenção de um dos veículos que tendem, sistematicamente, a fazer o jogo da "elite branca" e defender os interesses de um neoliberalismo troglodita. Pois, se observarem sem muito esforço, verão que a revista VEJA, que circulou depois da revista CARTA CAPITAL, apesar de estar pronta antes, saiu depois e circulou exatamente com a mesma foto (trabalhada) da capa de Carta Capital. Essa, é o que fica bastante explícito, foi uma armação, descarada e anti-ética, da revista Veja para definitivamente confundir o leitor.
Enquanto Carta Capital, sob a manchete "Cuba Sem Fidel", traz a história com sentido mais informativo e imparcial sobre o ex-ditador cubano Fidel Castro, a revista Veja, desavergonhadamente, reflete toda sua indigestão contra Fidel Castro, sob a denunciante manchete "Já Vai Tarde", onde, em lugar de um verdadeiro jornalismo informativo, distorce o conteúdo e a história, manipula e desinforma o leitor. "Olho vivo, porque cavalo não desce escada", já dizia o saudoso cronista social Ibrahim Sued.
E mais grave ainda, foi que Veja surrupiou, com indiscritível petulância, a capa elaborada por Carta Capital. Tal atitude, reveladora de baixo caráter ético e profissional, retrata o objetivo de má intenção de Veja na subliminar forma de ludibriar o leitor. Esse, o pior exemplo do mau ou péssimo jornalismo, cuja ação se antagoniza indubitavelmente com a luta da "liberdade de imprensa", posto que "liberdade de imprensa" compreende, também, ética, moralidade e, fundamentalmente, a "verdade factual", independente para que time, lado ou tendência política se torce, pessoalmente. O que vale e mais pesa no jornalismo é a verdade e a imparcialidade.
À Veja, faltou criatividade, respeito ao leitor e até mesmo aos anunciantes, faltou ética e escrúpulo profissional. Com esse tipo de jornalismo (?) onde iremos parar? O que se pode exigir? O que se pode cobrar em termos de respeito, ética e moralização?
Depois disso, o silêncio à reflexão é o melhor que se terá!
domingo, 3 de fevereiro de 2008
JUSTIÇA: Vereador Adão Santos condenado a 4 anos e 10 meses e perda do mandato

A 4ª Câmara Criminal do TJRS, em sessão dessa quinta-feira (24/1/2008), aumentou a pena aplicada ao Vereador de Canoas, Adão da Silva Santos (foto), que praticou o crime de concussão ao apropriar-se de parte dos vencimentos de Luiz Antônio Dias de Pinho, então consultor técnico jurídico da Câmara Municipal.
Após publicada a decisão e transitada em julgado, será expedido mandado de prisão para o réu cumprir a pena de 4 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, em regime semi-aberto, e pagamento de um salário mínimo como multa. O colegiado também determinou a perda do mandato eletivo.
Entre janeiro e agosto de 2001, o Vereador Adão Santos apropriou-se de R$ 3.744,94 da vítima. Ele exigiu do servidor, consultor técnico jurídico nomeado em cargo em comissão, que lhe entregasse o cartão magnético da conta-corrente onde seria creditado mensalmente o salário. Durante o período, apropriou-se de parte dos vencimentos da vítima, repassando apenas R$ 700,00 por mês.
A condenação inicial, na Justiça de Canoas, fixou a pena em 4 anos de reclusão e multa, transformada em Prestação de Serviços à Comunidade e pagamento de 20 salários mínimos aos parentes da vítima, falecida no decorrer do processo-crime. Ambas as partes, o réu e o Ministério Público, recorreram da sentença ao Tribunal.
A viúva da vítima, relata o Desembargador Aristides Pedroso de Albuquerque Neto, conta que quando o seu marido foi receber seus vencimentos, o Vereador pediu-lhe o cartão do Banco e disse que lhe entregaria R$ 700,00 "e, se não aceitasse, outros aceitariam". Outras testemunhas confirmaram o fato.
Considera o Desembargador que houve o crime, "pois o delito de concussão consiste em exigir vantagem indevida, direta ou indiretamente, no exercício da função pública e em razão dela, consumando-se no momento em que é feita a exigência". Ressaltou que "as declarações prestadas pelas testemunhas merecem credibilidade, vez que uníssonas, harmônicas e sem contradições nos pontos essenciais".
Considerou também que as provas apontam não haver dúvidas quanto à autoria. Entendeu o Desembargador Aristides que a pena fixada no 1º Grau merece revisão, pois os fatos causaram agravamento no estado de saúde da vítima e as circunstâncias de envolver funcionário público e detentor de cargo eletivo devem ser consideradas. E também propôs a perda do mandato eletivo, pois é efeito da condenação igual ou superior a um ano por crime cometido com violação de dever para com a Administração Pública, segundo o Código Penal (art. 92, inc. I, alínea ´a´).
Os Desembargadores Constantino Lisbôa de Azevedo e Sylvio Baptista Neto acompanharam o voto do relator.
(Proc. 70021964283 (João Batista Santafé Aguiar)
* Clique na foto para ampliá-la.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
JUSTIÇA: A escalada da criminalidade e a impunidade como prêmio


domingo, 20 de janeiro de 2008
Fraude: Denunciados o Prefeito e dois Secretários Municipais de Canoas

Aqui retratamos, através da capa e da página central, a denúncia encaminhada pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça, sobre a questão de fraudes no processo de licitação e a constatação de superfaturamento da Meranda Escolar no município de Canoas. Segundo o MPF foram indiciados o prefeito Marcos Antônio Ronchetti e dois secretário: Francisco Fraga, do Governo, e Marcos Zandonai, da Educação e Cultura. Por outro, no mesmo processo o MPF pede o afastamento e a perda do mandato do prefeito Marcos Ronchetti, além da obrigatoriedade do ressarcimento de R$ 5,6 milhões.quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Não há mais tempo
LEGENDAS: 1) Anos 1953 ou 54 na Rua Santos Ferreira, em Canoas-RS. De pé: Osmar Pagot, Lui e Paulinho Bohn e Clarinha Mahfuz
. Agachados: Dirceo e Chico Pagot, Wanderley (Piquinho) Mahfuz, Bruno Pagot e Marco Antônio Mahfuz.2) Ano de 1960, o time do E. C. São José "B", campeão, da Rua Frederico Guilherme Ludwig. De pé: Antônio Fogaça, Norma Ren, a Rainha do Clube Neusa Bernardes, Leonora Ren e Carlos Gilberto Vargas. Agachados: Ademir D´Arrigo (Polenta), Odir Bertoletti, Felipe Collares e Francisco Antonio (Chico) Pagot.
3) Anos 60, as meninas da rua Frederico Guilherme Ludwig, em foto na casa do casal João e Rosa Venhofen: Eliane Theisen, Neiva Bernardes, Ivone e Iris Droescher, Margarida, Renato Droescher, Cristina e Neusa Bernardes.
O ziguezague dos tempos, as correrias e os atropelos da vida de hoje, tempos supersônicos em que a tranqüilidade e a paz coletiva forçosamente deixaram lugar às guerras eletrônicas via satélite. Guerras programadas com tempo, que nos roubam o tempo. Tempos em que as bombas, os tiros e tudo mais acontece dentro de nossas casas, na nossa sala de jantar, sobre nossas mesas, durante o almoço ou mesmo o jantar, o que é ainda pior. Foguetes teleguiados, granadas e balas que explodem nas nossas caras, e à vida de inocentes, ingênuas e dóceis crianças, que tembém não têm mais tempo para ter tempo de brincar com a critividade, com os sonhos traduzidos nos caminhãozinhos e nas bonecas. Século vinte: crianças-robôs, adultos impessoais.Tempo em que não há mais tempo para nada. Não temos mais tempo para a família, nem para os filhos e muito menos para os amigos. Cada dia temos menos tempo. Até mesmo para viver. Só nos resta uma réstea de tempo para sobreviver uma sobrevivência que nos toma todo o tempo. Assim, só teremos tempo para chegármos mais rápido ao fim. Temos muita pressa. Todo o tempo é de pressa. Passa. Agora não dá!
Vou falar em saudade. "E por falar em saudade ...", intrometo em meio a este meu filosofar, que para alguns poderá parecer uma perda de tempo, um espaço do tempo que o "poetinha" Vinícius de Moraes dedicou do seu tempo para o tempo de romancear, tempo de cantar, de amar e de viver. Disse ele: "Houve tempo ... e eu vos digo: havia tempo / Tempo para a peteca e para a soneca / Tempo para trabalhar e tempo para dar tempo ao tempo / Tempo para envelhecer sem ficar obsoleto".
Ah! que saudade - e já vai longe - os tempos dos filós (os italianos e seus descendentes sabem bem o que é e o que representa o filó), quando se passava horas e horas conversando, cantando, enquanto se bebericava um bom vinho tirado diretamente da pipa, lá no interior de Garibaldi e Nova Prata, no fresco dos porões. (Não estou remetendo ao tempo da ditadura militar).
Ah! que saudades dos tempos juvenis em Nova Prata, ou já em Canoas, na rua Santos Ferreira, e mais tarde na Frederico Guilherme Ludwig. Eram manhãs/tardes/noites infindáveis de prazer. Prazer pelo jogar bola, pelo disputar do futebol de mesa, do pingue-pongue, do flerte com as meninas adolescentes da minha rua. Meninas que já ondulavam o corpo nun ziguezagueante molejo no andar. Um andar de requebros mais sensuais e insunuantes até.
Mas já não há mais tempo, nem mesmo para recordar. Estamos todos, todo dia, sem tempo. E o tempo que resta - se é que resta tempo - é de pressa. Na realidade sobrevivemos ao tempo da sobrevivência.
Pois é, não há mais tempo. Não há mais tempo para se brincar, para se jogar, para se descansar, conversar jogando conversa fora. Só há tempo para pouco tempo. Não há mais tempo para as amizades. Aliás, já desaprendemos como fazer e cultivar amigos. Os amigos, nesses tempos sem tempo, são conhecidos. Os amigos que ainda temos são os que ficaram. São os que se plantou e colheu em outros tempos
Haja tempo para tão pouco tempo. Tempo, ora bolas! O que é tempo se não um simples espaço de tempo, que a grande maioria não liga, não valoriza, não dá importância.
E quem terá hoje tempo para pensar e recordar os bons tempos?
E o tempo se vai. Se esvai. É, não há mais tempo. Aliás nesses tempos sem tempo, dei um jeito de arranjar um tempo. Um tempo para os amigos. Amigos, não conhecidos. Rebusquei no fundo do baú. E foi ótimo. E os amigos de tempos foram aparecendo num reencontro que há tempo eu desejava. Como foi bom e fez bem me encontrar com os amigos, ainda que por pouco tempo. Amigos que fui colecionando com o passar do tempo. E sabem a que horas fui arranjar esse tempo? A uma hora da madrugada. Aliás, um bom tempo para se ter tempo. Até porque lembrar é reviver. É ganhar com o tempo no passar dos anos.
Pois é! Foi tão bom que até tive tempo de relacionar os amigos um por um, e cada um a seu tempo. Amigos dos tempos de criança, tempos de adolescente e de alguns tempos mais recentes.
Tem que se ter tempo para falar tanto tempo. De tempo mesmo, e de se ter saco para escrever tanto tempo sobre algo que, para muitos, não representa nada: o tempo. Mas no final é confortante, pois, em se tratando de amigos, o tempo dedicado foi gratificante. Fez bem para o meu íntimo. Estufou o meu ego. Senti um enoerme prazer em reencontrálos a todos. A maioria ainda por aqui, talvez sem muito tempo também.
É importante que nesses tempos de vida atribulada, de corre-corres, de tempos em tempos se arranje tempo para curtir um tempo com os amigos. Hoje vivemos, todos, tempos de massificação, tempos novelescos e tempos de alienação que deixa um vazio no tempo.
Em falando nisso, por diversas vezes me perguntei porque será que a Igreja Matriz não tem em sua torre um relógio onde Canoas e sua gente pudesse ver o tempo? Mesmo que pelo simples fato de vê-lo passar. É quase uma tradição todas as principais igrejas de cada cidade terem um relógio na torre. Mas ainda há tempo!
Há que se refletir sobre a questão "Não há mais tempo". Não podemos ficar presos ao tempo, mas também não podemos esquecer de ter tempo para quem nos ligou no tempo. Pois amanhã poderemos estar literalmente sem tempo. E aí poderá ser tarde demais.
Há uma questão a ser colocada. Nesse tempo será que não perdi tempo? Ou, talvez, foi o tempo que me ganhou?
Bem, sem mais perda de tempo, nesse tempo sem tempo, tirei um tempo para lembrar dos amigos de tempos. Me dei ao tempo de relacioná-los um por um os que cultivei todo o tempo.
(Aí vem uma relação extensa, por isso não relacionada).
Aos meus outros amigos não lembrados nesse curto espaço de tempo, e por isso não citados, minhas desculpas, pois não há mais tempo. (Escrito em junho de 1991)
* Clique sobre as fotos para amliá-las.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Osvaldo Alvarez e o resgate da imprensa


