terça-feira, 6 de março de 2007

Sob uma cortina de fumaça

A bem da sacrossanta verdade, essa é uma matéria que freqüento com dificuldade. Mas ao mesmo tempo, tudo me parece de uma simplicidade caseira, enquanto os grandes jogadores do mercado de capitais, os políticos e as elites dominantemente esclarecidas, com suas criatividades invejáveis, e seu jogo de engodos lépidos e surpreendentes, volta e meia criam formas e fórmulas acobertadas por siglas, para uma locupletagem desvairada. Com dificuldades, posto que jamais me sentei num banco de universidade de economia.

Mas tudo tem a ver com a nossa espoliada Canoas. "Download" do espoliado território que se estendo, continentalmente, do Iapoque ao Chuí. Pelos dados, as informações e estatísticas divulgadas (acredita-se até prova em contrário), Canoas é o município do Rio Grande do Sul que mais arrecada. Só perde para a capital Porto Alegre. Há bom tempo se ressentede investimentos nas áreas sociais, pois, que não se vê e nem se sabe de aplicações em serviços ou obras que justifiquem o consumo de tanta grana. A cidade está literalmente jogada às traças, às moscas, aos malandros e aos mal educados. Calçadas, praças, patromônio histórico, escolas, postos de saúde, o "Gracinha", tudo se deteriorando ante a indolência das autoridades municipais.

Por outro, surprendo-me ao ler no semanário O Timoneiro, que a Câmara de Vereadores aprovou o empenho do ICMS. Assim como aprovou um empréstimo em banco internacional de US$ 32 milhões. Penso cá com meus já conturbados botões: onde conseguem gastar tanto dinheiro? E se realmente Canoas é o município que mais arrecada no Estado, e está empenhando receita e fazendo empréstimos prá se manter viva, como deverão estar os outros municípios mais pobres? E os recém criados?

Desculpem-me a ignorância, apenas somos cidadãos honrados e jornalistas (não confundir com "profissionais da comunicação", pois esta trata-se de outra subjugada categoria) intocáveis. E, assim, estamos em busca da realidade. Uma realidade lógica e consubstanciada, obviamente.

Estamos, é como se pode constatar, sob uma verdadeira cortina de fumaça. Cego, pela obviedade lógica, não sou. Mas às vezes chego a pensar que estou tendo problemas de ordem oftalmológicas.

---------------------------------------------

IMPORTANTE: Quem postar comentário visando ganhar um livro de presente, não esqueça de enviar seus dados completos, endereços, etc. para o e-mail: la-stampa@ig.com.br, OK?

sexta-feira, 2 de março de 2007

Presentes aos internautas



Prêmios para a galera. A partir de hoje estarei presenteando 10 internautas que acessarem e postarem seus comentários neste blog com livros de minha autoria. Serão cinco exemplares de "Desatando o Nó da Gravata", publicado em 1996, e cinco exemplares de "Locomotivas - Um Tributo à Mulher", publicado em 2001. Portanto, os 10 primeiros que postarem comentários dizendo o que acham, críticas ou sugestões, levarão um presente.


Todos apostos no "patidor". Foi dada a partida ..

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Lavanderia CEF

A cada feito ilícito, me torno mais cético quanto o isenção e a independência da mídia tupiniquim. Uma isenção e uma independência que tem servido de brigas intermináveis. Porém, quando é para mostrar que realmente é isenta e independente, os chamados grandes veículos se mostram ao reverso.

Já no ano passado houve denúncias de que a Mega Sena servia de "lavagem de dinheiro" a muitos membros das elites "fora da lei". No final de semana novas denúncias vieram à tona, e feitas pelo mesmo deputado. Ganhadores acertaram, não exatamente o prêmio maior, mas centenas de vezes prêmios menores. Um tem tanta sorte, mas tanta sorte que já "acertou" 525 vezes na quina da Mega Sena. Isso me leva à lembraça do "abençoado pela sorte", o ex-deputado João de Deus, que "acertara" mais de quatrocentas vezes nos prêmios da Mega Sena.

As notícias na mídia foram en passant, logo depois da denúncia. No dia seguinte, ao contrário do que foi feito com a barbárie da morte do menino João, que ficou no ar por cerca de doze a quinze dias, a mídia simplesmente se omitiu. Acumpliciou-se. Não quero acreditar que haja uma perfeita afinação da mídia com a Caixa Econômica, e menos uma blindagem.

Mas que é muito, muitíssimo estranho, isso é.

Segundo a Constituição, a chamada Carta Magna, tem sido desrespeitada uma multiplicidade de vezes pelos próprios legisladores. Assim, num país onde o jogo de azar é taxativamente proibido, logo uma estatal é quem faz o papel de "banca" e detém e controla o maior Cassino, quiçá, do mundo. São cerca de oito opções de apostas. Como não fosse suficiente, vem aí - não percam torcedores doentes - a Clubemania. Façam logo suas apostas, a "caixinha já vai correr". E não deixem o seu clube do coração quebrar ... e nem os pobres e bem intencionados cartolas. Estes em especial!

Uma nova loteria (os governos encontraram um belo e facilitado nicho, tornado legal, para tirar mais dinheiro do povo) que, além de mais uma vez tomar o dinheiro dos crédulos e ingênuos, servirá para acoberta os rombos deixados pelos cartolas dos times de futebol. E, como já é praxe nesse sempre espoliado "patropi", quem vai pagar essa monstruosa conta é o povo. Digo, os fanáticos torcedores.

Quem viver, verá!

Observatório 3

* Com todo esse desdobrar que ainda e cada dia mais vai haver, sensatamente, quem perde, administrativamente, com certeza e sem a menor sombra de dúvidas, é Canoas e os canoenses. Enquanto existir esse ti-ti-ti em torno de prováveis candidaturas as obras ficam paradas e os serviços perdem em eficiência e qualidade ... mas o carnaval e as festas ganham em “quantidade”.

* O caso do desabamento nas obras do Metrô, em São Paulo. Um governador que assina um contrato com o “Consórcio Via Amarela” (um pool de empreiteiras), e que obriga o Estado a pagar pelo serviço, sem poder fiscalizar - só mediante pagamento de multa contratual -, comete, no mínimo, um crime contra o patrimônio público e o erário. Assim procedeu o ex-governador Geraldo Alckmin no caso das obras do Metrô. Foi o que a mídia demonstrou, mas não disse claramente.

* Encontro casual me revelou que a Fundação Cultural de Canoas recebe uma verba oficial, ou seja da Prefeitura Municipal de Canoas, de R$ 300 mil / ano, além das contribuições espontâneas e as taxas cobradas dos diferentes cursos lá realizados. O presidente e uma funcionária da FCC são funcionários públicos. Além da consevação do material e das exposições, apenas dois funcionários com simples funções recebem salário, como a faxineira. E dizem que faltam recursos?

* O sonegador de tributos, cuja grande maioria pertence a elite dominante, tem que ser tratado como “criminoso comum”, sem privilégios e delongas jurídicas. No período de 2002 a 2006, no Estado, denunciou um levantamento do atual governo estadual, a sonegação chegou próximo aos R$ 7 bilhões, excetuados os períodos anteriores. Para 2007 a sonegação estimada – pelo atual governo da paulista Yeda Crusius - é de R$ 1 bilhão e 100 milhões.

E existem apenas 421 fiscais da Receita, enquanto, que os ineficazes CCs estaduais e municipais (os “trenzinhos da alegria”, mais acomodam familiares e parentes, num desavergonhado nepotismo). Nos poderes executivos e legislativos, pululam abusivamente, sem que apresentem resultados positivos aos contribuintes.

* A paulista governadora dos gaúchos, Yeda Crusius, assegurou durante a campanha, que iria por a casa em ordem quanto a questão das despesas. Pois, não é que a primeira medida foi pedir aprovação à Assembléia Legislativa para aumentar impostos. Prá quê? Para que os “criminosos da apropriação indébita” se locumpletem ainda mais? Basta cobrar, com a parceria e agilidade do Judiciário, o que foi sonegado que a casa ficará em ordem, sem mais sacrifícios da sociedade. Em quatro, conforme levantamento e anúncio do atual governo, anos foram R$ 7 bilhões sonegados. E Yeda Crusius irá tomar as medidas legais e punitivas cabíveis?

* Pois, está mais do que na hora de se criar leis, objetivas e sem dubiedade, para acabar com os “trenzinhos da alegria” (leia-se CCs) - e pior, sem limites -, assim como tratar a corrupção e a sonegação como crimes hediondos. Portanto, sem direito à fiança e outras costumeiras e casuísticas benesses jurídicas sempre reconhecidas em favor dos políticos e membros da elite feudal.

* Pois, fico sabendo, oficiosamente, o que me remete ao caso da suspeita extinção do Grêmio Niterói e me faz incrédulo, que, além da perda de uma ação trabalhista na ordem de R$ 23 mil, o Canoas Country Clube teria negociado (?) um terço da sua nobre área de 21,5 hectares.

Por falar nisso, seria interessante ter notícias sobre o Processo Nº 00800472654, que o “Clube Verde e Prata” move contra o ex-presidente, que gestou o clube de 1994 a 1998, e teria, eram os comentários à época, provocado um “rombo” de US$ 100 mil (leia-se dólares).

* Ouço, e não quero acreditar, que o tradicional Clube Cultural Canoense, fundado em 1933, anda às voltas com uma dívida resultante de encargos sociais na ordem de R$ 240 mil

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Observatório 2

* Correndo, agora por fora do que já foi evidente, a candidatura do hoje vice-prefeito Jurandir Maciel que, obviamente, deverá trocar de legenda, saindo da conflagrada lista de candidatos do PTB, onde virou "fritada na chapa". Mas é o candidato com as melhores chances se souber compor. Jurandir Maciel já deixou passar uma grande oportunidade. Agora terá que ser politicamente astuto para formar uma nova e imbatível chapa.

* Pela raia da coréia, e até por não contar com o apoio e a simpatia da maioria dos seus correligionários de partido, deverá fazer páreo o ainda peessedebista Ayrton Souza, cuja aceitação no último pleito para a Assembléia Legislativa o crendencia como candidato à Prefeitura de Canoas.

* Os prováveis candidatos não páram por aí. Jairo Jorge, que já concorreu a prefeito e já foi o vereador mais votado em Canoas, nas eleições de 1982, vem com força para a disputa: é o atual pró-reitor para Assuntos Institucionais da Ulbra. Concorre, internamente, com o deputado federal Marco Maia, super bem votado nas últimas eleições.

* Outras dobradinhas, nada descartáveis e tornadas cartas guardadas na manga, poderão se formar com o andar da carruagem, como Coffy Rodrigues (PDT) e Nedy Vargas Marques (PTB) e Jurandir Maciel (a escolher um partido) e o candidato que será indicado pelo PT. É como jogo de truco: é pagar prá ver!

* Em suma: ou teremos uma enxurrada de candidatos e aí será difícil arriscar um prognóstico, ou vai acontecer uma montagem com o propósito de não diluir e nem abrir brechas e correr o risco de entregar o comando da política local a outra corrente. É exatamente isso que os tucanos e os petebistas não querem.
Por enquanto muita especulação, mas poderá estar havendo, como no jogo de truco, um blefe decisivo.

* Na última eleição para Presidente da República e o governo do Estado, viu-se o atual "establishment" em queda. Lula e Olívio Dutra, em Canoas, fizeram mais votos que os oponentes Geraldo Alckmin e a eleita governadora Yeda Crusius, mesmo com o total apoio do grupo dominante. Esse é um ponto que está sendo levado em conta pelos prefeituráveis opositores
.

Observatório 1

* Canoas, em termos de investimentos (prestação de serviços à comunidade) anda aos trancos e barrancos, com saldo zero, enquanto a preocupação dos políticos está centrada, quase exclusivamente, na sucessão em 2008. Daí surgirem, conforme as especulações e os pantins, diferentes candidatos à sucessão do reeleito Marcos Ronchetti.

* E nesse vem e vai de possíveis composições, não há como esconder uma provável chapa que faça o "roque" (no xadrez, o ato de trocar a torre para proteger o rei). Assim, é assunto nas rodas políticas, e as nem tanto, uma dobradinha: deputado estadual Coffy Rodrigues e a primeira-dama Rose Santos. Se a lei permitir!

* Outra candidatura, dentro da linha dos preferenciáveis dos "partidos primos consagüíneos" locais, PSBD e PTB, e que é sempre pauta das tais rodas, é o vereador Nedy Vargas Marques.

* É pouco, pouquíssimo provável, apesar das insistentes especulações, que o plenipotenciário Secretário de Governo entre na briga por uma vaga de candidato a prefeito. A sua posição nunca foi de goleiro, ele é "capitão", e joga de centromédio, comandando e distribuíndos as jogadas. Quem entende de futebol, sabe!

A questão da criminalidade

A cada ato ou feito de perversa magnitude ou barbárie, como o caso do menino João arrastado por cerca de sete quilômetros ou o serial de incêndios em São Paulo, as tomadas de medidas para as soluções passam a florecer alimentando a expectativa de que a partir daí se terá atitudes, revisão do Código Penal com leis mais severas, que extirpem de vez as decisões de impunidade e reformulações pertinentes ao compotamento dos cidadãos, que tais atos ou feitos não mais se repetirão. E assim, se arrastam e se perdem em vãs discussões, debates, cansativas e repetitivas reuniões, troca e desencotros de opiniões. Há uma indolência e um desinteresse tão óbvio de parte das elites (e aí inclue-se os ditos "organismos vivos", que se dizem repreentantes dos mais diferentes segmentos e setores da sociedade produtiva; a OAB, o Judiciário, o Congresso e o próprio governo), que é em vão se alimentar expecatativas quanto às soluções.

A mídia, o governo, os políticos, a elite e a sociedade não se entendem. Não se enquadram nos mesmos propósitos. Cada qual inventa um pretexto e acaba puxando para o seu lado as formas de erradicar a violência e a criminalidade, quando na realidade a raiz desse mal está enrraigada no seio dessa mesma elite protelante. E tudo acaba se esvaindo na futilidade dos debates e das discussões, enquanto o crime, mais ágil e mais desesperado à busca dos seus propósitos, se mostra distanciadamente competente.

Se não buscarmos a solução pelos caminhos da educação (ensino), do emprego com salários que possibilitem um mínimo de dignidade aos cidadãos, de uma legislação efetivamente penalizante, sem a gama interminável de benesses jurídicas, feitas, primeiramente, para beneficiar os "fora da lei" membros dessa mesma elite dominante, e que, por fim, acaba servindo a privilégios jurídicos também aos grandes grupos e às organizações criminosas, não teremos, com a mais consciente convicção, sequer o mais tênue fio de esperança de que tais bárbaries tenham, não um fim, ao menos uma gradativa limitação.

Fora disso - e perdoem-me o invergável ceticismo - não encontramos no que crer para uma melhora, uma diminuição da violência e da criminalidade no Brasil. Se não têm como se educar, como trabalhar e nem o que comer ... a questão é mais do que manifesta de que só fazendo valer a "lei da selva" para sobrevier. Enquanto, ao redor das favelas, dos lixões que alimentam milhares ou milhões de brasileiros famélicos, pululam suntuosos arranhas-céus, milionários - e a maioria impunemente, ainda que através da gama de atitudes ilícitas e previstas no CPB - banqueteando alarmadamente nas mais diferentes colunas dos jornais, espaços de televisões, páginas virtuais, o sentimento bnafejado pela miséria e pela fome, continuarão abastecendo o senso de vendetta.

As alegações, que viraram síndrome da mesmice sintomática, portanto sem fundamentos convincentes, é de que não há recursos. Não há para a Educação, para a Saúde, para a geração de empregos, para dar dignidade e qualidade de vida aos cidadãos brasileiros, mas há para fazer vistas grossas aos crimes de sonegação fiscal galopante, aos crimes "lesa pátria" via corrupção incontrolável (tanto dos políticos como das elites dominantes, livremente), para o banquete esportivo do Pan do Rio 2007, que com a mais convicta certeza, alimentará - e muito - os caixas da mídia, e, também, sempre há recursos para o aumento dos congressistas sem previsão orçamentária, etc e etc.

E quando os governos (todos, indistintamente) falam em cortes de gastos, o fazem exatamente nas áreas da Educação, da geração de empregos, da Saúde, da Previdência Social, da Segurança Pública. Aí, como dizia aquele detetive: “é elementar, meu caro Watson”, não são cortes de gastos, mas cortes de investimentos nas áreas sociais. O que é uma puta pilantragem, uma baita safadeza, posto que os brasileiros pagam impostos para terem o devido e constitucional retorno em prestações de serviços., Mas, lhufas!

O resto, meus caros "watsons", é nada mais do que falácia, demagogia da mais rasteira, desculpas em nível forração. E o povo acredita ... que é sério. Que o que os políticos e a mídia diz é a mais pura verdade. É isso aí!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Haja brasilidade

Cada vez me sinto mais incrédulo quanto a uma mudança social e comportamental, prá melhor obviamente. E mais cético me torno quando vejo o Brasil praticamente parar prá assistir um vergonhoso programa como o BBB da Globo (nada mais do que um jogo de cartas marcadas prá faturar ... e muito). E vem logo em seguida de outra grande cretinice ibopesca que são as tais novelas globais. E mais drástica fica a situação quando percebo que "as marias vai com a outra" se dobram à mesma criatividade e ao mesmo talento.

Parem, observem e constatarão! A grade de progração das TVs são tão porpositadamente assemelhadas que, mesmo trocando de canal, penso estar na mesma emissora. Os apelidados "telejornais" são apresentados com a mesma diagramação, o mesmo esquema de apresentação com uma mesmice massificante e alienante. São tal e qual, desde a abertura ao fecho, apenas se diferenciam pelas imagens e as vozes dos apresentadores. Programas de humor ... Só se humor cáustico. E tem gente que acha graça e ri parecendo se esborrachar.

Nessas horas é que me dou conta quanta falta faz um Oscarito, com seus trejeitos improvisados e inimitáveis; um Grande Otelo desconsertante; um Mazaroppi e aquele seu jeitão caipira legítimo; um Chico Anísio e sua multiplicidade de personagens de humor agradável e inteligente; o humor cheio de inteligente ironia de um Juca Chaves, além de um compositor satiricamente mordaz.

O Brasil, no domingo, parou mais uma vez prá assistir a um descarado e multimilionário "mis-en-scène" mundial, patrocinado pela Acedamia Cinematográfica Norte Americana, festival de jogo encenado mais popularmente conhecido como "Oscar". Um perfeito jogo de truco.

O Brasil já havia parado, obsoluto, no que se conhecia, há anos passados, como "tríduo de Mômo". Daqui a pouco vem aí o Pan do Rio. Outro pândego motivo para não se poder ligar a televisão. Vai ser uma panacéia (remédio para todos os males) pandemônica insuportável. E tudo parte de truanices.

Nada, disso tudo, passa de uma grande e forjada pandilha. É como escreveu Viana Moog: "O nosso dever é dar ordem ao caos e ao pandemônio social do nosso tempo". Amém!

Enquanto isso, o "sábio e experto" brasileiro, financeiramente cada vez mais estressado (ou seria espoliado?), psicologicamente mais depremido e à beira de evolutivas crises de ansiedade, se entrega a alto preço à fé de oportunistas de plantão, que vão surgindo, como se brotos de trevo de três folhas em terra arada, em todas as esquinas do Iapoque ao Chuí. E, assim, dê-le dinheiro às enxurradas de églises que pululam per tutti i canti, para poder ter a fé, a benção e a solução de todos os problemas. E tutto in nome di dio!

Assim não há como resistir. Me sinto cada dia mais lânguido, mais penalizado e mais sofrido. E o pior é que mesmo não participando desses processos, estou compulsoriamente obrigado a arcar com seus reflexos e efeitos.

Et vive le ignorance !?!?!?

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Um susto, a gagueira e a auto-cura


Corria o ano de 1956 ou 57. Mês de junho, festas de São João. No salão paroquial, ainda de madeira, então nos fundos da Igreja Matriz São Luís, uma festa-quermesse. Na parte de fora diversas barracas para entretenimento da garotada, como tiro-ao-alvo, banca de pesca, lance com argola, "cadeia", de onde só se saia depois de pagar uns trocados, essas coisas, entre outras.
Dentro e fora do salão, na maioria, um incessante vaivém de guris e gurias, moças e rapazes. Estes já na fase de trocarem "telegramas" apaixonados, paqueras à distância, dedicarem músicas às suas musas alvo, com dedicatórias anunciadas pelos alto-falante, do tipo: "Fulano, com muito amor e carinho, dedica a próxima faixa musical à beltrana", ou "Fulano, com admiração, dedica a próxima faixa musical á moça que está na mesa tal, com blusa rosa e saia zul", e coisas e tais.

Na banda externa, um pouco afastado do borburinho de gente, jovens faziam espocar a suas bombinhas, cujo tamanho era uma pouco mais do que palito de fósforos. Mesmo assim o estampido causava um certo impacto. Era uma grande e agradável vibração juvenil.

Meus irmãos, Osmar (o mais velho) e Bruno (o mais moço) e eu, na casa entre os 10 e 15 anos. No horário pré-estabeleicdo pela nossa dedicada mãe, decidimos voltar prá casa. Até que os jovens da época eram relativamente obedientes, mas não menos peraltas.
Assim, descemos a escadaria da Igreja Matriz, cruzamos pelo centro da Praça da Bandeira, mais conhecida como Praça da Igreja, passamos em frente à Casa Vargas, onde minha irmã mais velha trabalhava, e fomos em direção à rua João Pessoa. Dali tomamos o sentido Norte em direção à rua Domingos Martins. Íamos faceiros, cantarolando as músicas que o alto-falante da quermesse nos proporcionava.

Meus irmãos já haviam liquidado com todas as suas bombinhas, enquanto eu ainda guardava algumas poucas. Já na esquina da Victor Barreto com a rua Muck, meu irmão Osmar teve uma inspiração repentina.

A casa dos Muck, exatamente na esquina, estava com uma das janelas para a Victor Barreto aberta. E alí parados, ele perguntou se eu ainda tinha alguma bombinha. Respondi positivamente. Então ele disse quase ordenando: me dá uma aqui que eu vou jogar prá dentro da janela. Não, respondi, a bombinha é minha e eu é que vou jogar. Discutímos por alguns segundos quem lançaria o explosivo. Já tinha tirado a dita bombinha do bolso junto com uma caixa de fósforo. E num repente, enquanto meu irmão tentava me convencer de entregar-lhe a bomba, risquei na caixa e a joguei. Mesmo pequenina, mas com a casa totalmente fechada, o efeito do estrondo foi bem maior. Posso imaginar, hoje, o susto, ainda mais se estavam tirando uma cesta.

Saímos em desabalada carreira em direção à Domingos Martins, na expectativa de não sermos vistos. Na Estação do Trem (hoje sede da Fundação Cultural), escondidos, nos acomodamos num banco por alguns minutos esperando passar um tempo e podermos ir prá casa sem sermos vistos ou importunados depois do feito. Assim, caminhando tranqüilos pelos trilhos, chegamos à rua Domingos Martins. De repente e não mais do que de repente, exatamente sobre os trilhos, na passagem de nível que havia ali, estaciona uma camioneta. Ficamos os três perfilados e tesos. O homem da camioneta, para nós desconhecido, em tom grave e determinado, disse:
- "Entre os três na camioneta que eu vou levá vocês prá delegacia".

Sem, muito pestanejar, meu irmãos mais novo, no ensejo de livrar-se da bronca, não titubeou e logo me dedurou: "Foi ele", disse apontando prá mim, enquanto o Osmar, o mais velho, já havia saido em louca disparada pela rua Guilherme Schel, ainda de chão batido e cercada de matagal, para ter com a minha irmã na Casa Vargas. E alí fiquei eu sozinho com o desconhecido decidido, dando a ordem:
- "Embarca aqui que eu vou te levá prá delegacia".

Naquele tempo se tinha respeito e medo da polícia. Um puta medo. Ter que ir prá delegacia, então nem falar. E pior: Qual a explicação em casa? Uma surra com vara de pereira enozada na certa, além de um provável castigo de não poder sair de casa por bom tempo e menos ir jogar futebol com a turma da rua. Isso tudo era inadmissível. Foram frações de segundos.

Delegacia, polícia ... deu pavor. E que pavor. Foram, daí, mais alguns intermináveis segundos pensando como sair daquela situação. Então resolvi, como se fosse entrar na cabine da camioneta, atravessei pela sua frente, e me meti em louca corrida pela calçada da Domingos Martins, também de chão batido. Havia chovido e a rua, além de estreita estava molhada, enlameada. Seria bastante difícil ele fazer o retorno com a camioneta naquelas alturas e continuar a perseguição. Assim, dei meia volta, retomei para a Victor Barreto, ainda pela calçada, quando de repente ouvi a voz de um homem, que se quer olhei prá ver quem era, que disse:
- "Vem cá guri, vem cá que eu te salvo".

Sem parar para refletir, pensei: "Enquanto eu corro meu pai tem filho". E ainda pela calçada, e desesperado, corri, como se numa disputa de atletismo, uma três ou quatro quadras em direção à rua Mathias Velho, quebrei a esquina e por esta, mais uma duas quadras, até alcançar a rua Dr. Barcelos. Olhei prá trás e não vi mais a camioneta. Fiz uma parada. O coração parecia saltar pela boca. Sentia uma certa dificuldade de respirar. Procurei aspirar e expirar fundo umas duas ou três vezes para retomar o fôlego, e então continuei, porém em marcha mais lenta. Dali até a Frederico Guilhjerme Ludwig outras duas quadras e mais uma para chegar em casa.

Entrei pelos fundos, hiper ofegante. O coração num tic-tac incontrolável. Dei de cara com a minha saudosa e preocupada mãe, que logo me inqueriu com ar de assustada:
- O que houve?.
- Nada, respondi, brincadeira com os amigos.

Fui direto prô quarto e aí é que fui me dar por conta que estava literalmente todo urinado. Tratei logo de trocar a roupa domingueira pela do dia-a-dia. Respeirei fundo mais algumas vezes, fiz ares de que estava tudo normal, e avisei a mãe que iria brincar com os amigos. Até aí, aparentemente, havia transcorrido tudo normal, apesar do brutal susto. Parecia que tudo estava resolvido.

No dia seguinte, depois de acordar, fazer a higiene matinal e tomar o café, comecei a perceber que tinha alguma dificuldade para falar. Me dei por conta, ao conversar com alguns amigos, que estava começando a hesitar quando falava. Estava, enfim, gaguejando. Dai prá frente, como os colegas do Banagrimer (hoje Unibanco) me chamavam, virei um inimitável, mas nada invejável, "metralha".

Nas rodas com amigos e amigas, nos bailes, no trabalho no banco (e lá exatamente lidava com o público), em todos os lugares, cada vez mais tartamudo, havia percebido que eu "tropeçava" ou estancava, geralmente, nas palavras que começavam com "C", "P" e "Q". E disso me dera conta uns bons anos depois. A tartamudez durou uns 12 ou 13 anos. Até o dia que, lendo uma das edições da Seleção Reader´s Digest, me deparei com um artigo, se não me falha a memória, intitulado "Como curar a gagueira de fundo emocional".

Li com total concentração. O artigo ensinava como superar a gagueira que havia adquirido através de um susto. Um grande e nefasto susto. O articulista ensinava que, nos casos de gagueira provocada por questão de fundo emocional, susto ou coisas que mexessem com o sistema nervoso, era possível curar procurando falar pau-sa-da-men-te, sem pressa e sem nervosismo. E assim passei a exercitar, procurando dominar o meu emocional e o meu sistema nervoso. Isso levou algum tempo. O suficiente para me acostumar a falar pausado e, assim, superar o problema da gagueira.

Lembro como era difícil e desagradável estar num baile, por exemplo, tirar uma menina prá dançar, num tempo que era muito difícil dançar de rosto colado. Dava graças a "deus" quando a menina permitia, assim eu, sem que ela percebesse, ensaiava como eu devia iniciar uma frase ou um diálogo, sem ter que usar palavras que começassem com "C", "P" ou "Q". Exemplo: Qual é teu nome? Como tu vais fazer? Por quê não me chamaste? Que tal a música? Só não gaguejava quando cantava, disso eu me dera conta, e eu mesmo achava aquilo engraçado, ao mesmo tempo que estranho. Prá mim, difícil de entender. Mas, enfim ... era assim que a coisa funcionava.

E essa situação eu não vivia só quando ia aos bailes, mas no trabalho, nas rodas com os amiguinhos, etc. Como disse, no banco o meu apelido já era "Metralha" tal a "qualidade com que falava o tartamudez". Não era nada fácil, mas tinha que suportar. Bem, isso só até o dia em que li o artigo publicado na Seleção Reader´s Digest. A partir daí, exercitei, determinadamente, o que o artigo ensinava e acabei conseguindo a auto-cura, felizmente.

Casei, pela primeira vez, aos 26 anos. E já havia abandonado completamente o "time dos gagos", graças, repito, a um artigo da Seleção Reader´s Digest, isso já por volta de 1968/69, e a minha determinada disposição de vencer o problema que surgira a partir de um tremendo susto.

Escrevo essa experiência com o intuito de colaborar com quem se defronta com problema semelhante, apesar de psiquiatras e psicólogas, no site Abra Gagueira - Associação Brasileira de Gagueira, afirmarem que "UMA PESSOA NÃO COMEÇA A GAGUEJAR DEPOIS DE LEVAR UM SUSTO". E justificam afirmativamente, dizendo: "Isso é um mito. Com os estudos científicos atuais é possível afirmar que a gagueira é causada por fatores genéticos, orgânicos, sociais e psicológicos". Uma assertiva que me parece ousadamente pedante, dado a factualidade da minha experiência.

Enviei um e-mail (abragagueira@abragagueira.org.br), contando a minha história e como cheguei à auto-cura. Na medicina tem-se notícias de inúmeros casos dados por insolúveis pela própria ciência médica, e que por outras formas que não científicas alcançaram a desejada e acreditada solução. E este, por exemplo, é um caso de to be or not to be. Is the question!

Como são profissionais que têm diplomas de especialistas, com certeza, jamais irão dar crédito a um leigo ... mas com experiência própria e resultados incontestáveis.

Não há nisso nenhuma vanglória, se não a da cura ou superação, e, além disso, a transmissão de uma experiência de quem acreditou no ensinamento de um artigo de revista, ainda que não de cunho científico e aparentemente despretencioso, cujos resultados, ainda que por forma empírica, poderão servir de modelo.

Ou seja, um ex-gago que conseguiu a AUTO-CURA.

O terno de corte italiano a "dernier cri"

Qual o jovem que não tem lá seus sonhos? Sonhos de adolescente. Sonhos de realizar ou conseguir alguma coisa em determinado momento da vida? Nos anos diamantinos os jovens também sonhavam em ter ou conquistar alguma coisa especial ou de gosto pessoal.

Pois, também tive meus sonhos na minha infância-adolescência. E um, lembro como se fosse hoje, era ter e usar um terno de corte italiano que, à época, era o "dernier cri" (o francecismo uso-o, mesmo que o amigo e cineasta Antônio Jesus abomina). De Casimira, tecido de lã, em tons claros, dois botões na frente e bolsos chapeados, com o mesmo tecido. Nunca fui super vaidoso, mas, obviamente, tive lá minhas vaidades. E assim, sempre que podia, procurava ser e estar diferente. Uma forma, quiçá inconsciente, de marcar, de me distinguir.

Era a década de sessenta. Não se tinha as facilidades de hoje de se adquirir as roupas "prêt-à-porter". Assim, éramos obrigados, pois que era a única opção, de procurar um alfaiate. Não apenas um alfaiate, mas um talento da tesoura, um artista de fatos. Até porque a profissão de alfaiate já foi considerada arte. Destarte, era preciso um profissional que soubesse dar equilíbrio e harmonia ao conjunto da obra. E disso, eu não abria mãos, ainda, como disse, de nunca ter sido um excessivo vaidoso.

Mas para se ter uma idéia da importância que era atribuída aos alfaiates, há uma passagem histórica que merece registro: A fase da alta costura no reinado francês foi tão importante que uma vez perguntado a Luiz XV, se ele não fosse o rei o que ele gostaria de ser, sua resposta de pronto e imediata, foi: "Gostaria de ser alfaiate do Rei".

A França sempre ditou a moda até meados do século XX, embora não possamos esquecer da influência dos ingleses, que introduziram na moda masculina os fatos feitos com tecido de Cashmere, originário da Índia, mas exportado pelos ingleses (o tecido era importado, por isso caríssimo), e revistido com Alpaca. Meu saudoso pai, que tinha muito bom gosto prá se vestir e disso também não abria mão, teve umas duas ou três fatiotas dessas, com sacrifício, pois ganhava pouco como representante comercial. E os italianos que também se destacavam nos talhes e moldes da moda masculina, como ternos e sapatos, que eram um grande sonho dos homens. Um cobiçado "must".

Pois bem, aí fiquei sabendo que em Sapucaia do Sul havia um talentoso alfaiate: Orlando Nedel. Coincidentemente irmão do também alfaiate Arlindo Nedel, que morava em Garibaldi, minha terra "capital da champagne" natal e era meu padrinho de batismo.

Lá nasci no "morro" e a casa ficava, ironicamente, logo abaixo da mansão dos Peterlongo (aqueles mesmos dos champagnes).

Não sei, até hoje, porque não sou muito fã do samba e nem do carnaval, se nasci no "morro" e hoje moro, não exatamente no morro, mas no lugar mais alto da cidade.

Voltando ao fato. Foi um dos meus sonhos felizmente realizados, além de, à época, ser o "dernier cri" dos talhes masculinos. Usava-o com indisfarçável orgulho, especialmente quando fazia parte do Coral do GAPA (Ginásio Agrícola Porto Alegre, ano de 1963), sob a batuta do saudoso professor de música e maestro engenhoso Léo Schneider, reconhecido como um dos melhores do Estado e do Brasil.

A estréia do singular modelito foi por ocasião da apresentação do Coral do GAPA na abertura de uma das edições da Fenac, em Novo Hamburgo (lá o maestro Léo Schneider fez uma verdadeira exibição de gala, ao tocar um órgão, com três teclados em escadas e imensos tubos) e nas duas primeiras exibições do Coral no teatro da Sogipa (então na rua Alberto Bins, centro de Porto Alegre), acompanhado pela excepcional Orquestra de Violinos. Um espetáculo e uma emoção indiscritível, enriquecida por uma outra platônica paixão que estava na platéia. E foi a partir daí que comecei a apreciar e gostar da música clássica. Não usávamos os tradicionais uniformes, apenas cada qual vestia seu terno com gravata, o que possibilitava arrostar a harmonia vocal do grupo com a dessincronização do vestuário.

O terno com gravata não era algo compulsório nas festas-baile jovens nos anos cinqüenta e sessenta, mas um cumprimento comportamental indispensável. Era como um símbolo, misto de status e atitude.

Qual o jovem, nos anos dourados e diamantinos, que não usava terno com gravata e sapatos pretos, social, caprichosamente lustrosos?

Pois, assim, o verdadeiro "batismo" do meu modelito "dernier cri" foi por ocasião de uma festa-baile na casa dos Amon, na rua Dr. Barcelos, quase esquina com a rua Mathias Velho, organizada pelo amigo Fernando Castilho. Muitas eram as festas-baile em casas de famílias amigas naquele tempo.

Eu, um adolescente a pouco saído da infância, estava apaixonado por uma linda e singular morena (Juca Chaves cantava uma modinha titulada com o nome da minha, hoje, platônica paixão, e que de vez em quando ainda escuto, não prá sofrer ou sonhar, mas pelo prazer lúdico do nostálgico). E lá estava ela na festa acompanhada de um outro e saudoso amigo meu. Naquele tempo beijar e até mesmo ficar de mãos dadas era coisa de se ter depois de bom tempo de conquista, convívio e namoro. Ainda bem!

Aí, frustrado com o inesperado quadro, me pus a beber quase que incontidamente. Sei lá se cerveja, vinho ou uísque, ou um legítimo "poupourri". Aí foi aquele porre. Fui levado ao banheiro e mal deu tempo ... vomitei tudo, até a frustração. O singular (era o único a usar tal talhe) terno ficou completamente marcado de "desilusão".

Hoje, um feito válido, de fato e efeito, como parte das diamantinas lembranças nostálgicas.