sábado, 17 de março de 2007
BR: o país da bur(r)ocracia intencionada
Assim, nos rotineiros casos de corrupção, uma peste que virou praxe, por exemplo, tanto o corruptor quanto o corruptível seriam, da mesma forma, previamente penalizados com a indisponibilidade de todos os seus bens, alargando tais efeitos aos nepotes, para que se erradique a transmissão de bens, e, seguindo o que já reza o CNT, determinar de imediato a cassação dos direitos políticos por um período não inferior a 30 anos, a exemplo da pena máxima prevista no Código Penal.
Tal feito, com a mesma objetividade e conteúdo de propósitos, a saber, se estabeleceria aos contumazes sonegadores, cujos nada mais são do que praticantes de crimes de apropriação indébita e crime de lesa pátria. Segundo Aurélio, no Novo Dicionário da Língua Portuguesa, sonegar é (4) "Tirar às ocultas; furtar, surrupiar; (5) deixar de pagar, (6) ocultar com fraude".
Daí, como entendo, pela realidade dos feitos e conquistas historiadas mundo a fora, que "Ninguém é rico, milionário ou poderoso impunemente".
Por outro, passei a entender, da mesma forma, quais as razões que levam os legisladores a redigirem leis de forma complexa, rebuscada e de senso interpretativo, sem que as substituídas percam seu efeito, assim como passei a entender as razões que levaram os mesmos legisladores a estabelecerem a gama de privilégios jurídicos, cujos só têm alcance os detentores de discriminantes condições sociais, que no Brasil chega no máximo aos 10% dos que estão no pico da pirâmide social. Os da base ... bem estes apenas os rigores da lei.
A bur(r)cracia, na visão dos legisladores, tem lá seus fundamentos e seus propósitos pré-intencionados. Quanto maior e mais complexo for o emaranhado de leis, mais próprio à manipulações de cursos e recursos feitos legais, às sentenças, às benesses e aos privilégios jurídicos, estes só alcançados por um décimo da população brasileira.
Assim, denuncia o juste-milleu vigente, caminha a justiça social no Brasil.
Tomado de completa curiosidade
Diante de tal fato, restou-me fazer o seguinte comentário: "O ministro Tarso Genro, em lugar de divagar como se o único gênio que descobriu a luz do que há séculos é factualidade, deveria denunciar e promover uma forma de acabar com os desmandos, não apenas na manipulação da opinião pública que a mídia faz, como sempre fez, mas quanto ao crime de extorsão por indução que todos os canais de televisão (excetua-se a TVE / Cultura) através de pseudos sorteios de prêmios em bens materiais ou dinheiro, via ligações telefônicas cobradas. E muitas sequer atendidas, mas apenas respondidas através de uma gravação na secretária eletrônica, como vem sendo o caso do programa Hoje em Dia, da TV Record, apresentado pelo trio: Brito Júnior, Ana Hickmann e Eduardo Guedes. Fiz o teste e tenho documentos comprobatórios de tal falcatrua. E o mais grave é que, através dos quiz as TVs induzem crianças e adolescentes a gastarem em ligações, com as quais faturam altíssimo em conluio com as concessionárias de telefonia e operadoras, com propostas (perguntas) meramente alienantes e com o objetivo primeiro de faturar. O BBB7, só de inscrições (e isso é uma fria, posto que tudo é manipulado) faturou cerca de R$ 4 milhões só com inscrições de candidatos ao programa. Um crime de extorsão por indução, já que não existe a tal de seleção dos inscritos. E sequer há uma fiscalização oficial. Além disso, e tal é sabido por toda a imprensa, mas ninguém denuncia, as ligações para eliminar esse ou aquele personagem do programa são régia e indevidamente cobradas. Quando se sabe que tudo gira em torno de decisões tomadas única e exclusivamente pela própria produção/direção do programa. Isso, segundo o bom senso de justiça, é crime contra a economia popular, é crime de extorsão, repito, por indução, quando na realidade é um jogo de engodo. Essas coisas é que a imprensa (dita livre e independente) e o Ministrro Tarso Genro devem denunciar também e especialmente. Será que teremos algum ministro, algum jornalista ou algum órgão de imprensa com "c... roxo" prá tanto? Eu continuo duvidando que haja alguém com coragem para tanto! E aí restará, mais uma vez, a prova de imparcialidade da mídia e dos profissionais de comunicação, como classifica Mino Carta. Aliás, ao próprio já enviei matéria refente, mas até hoje sequer uma resposta. Silêncio total e cumpliciador. Vou aguardar ...
Por fim, mais um comentário postado no Blog do Paulo Henrique Amorim, inspirado na surpreendente descoberta do Ministro Tarso Genro: "Incrível! Como o Ministro Tarso Genro, tido como uma das melhores "cabeças" da política brasileira e, a exemplo da grande maioria dos governantes e políticos brasileiros adeptos do jogo do truco, levou tanto tempo prá descobrir o "óbvio ululante", como dizia o dramaturgo Nelson Rodrigues. Quanto as tais e promocionais CPIs - é só prá isso que servem - faz parte do jogo de truco que vigora há muito no Brasil. É um jogo, não prá derrubar o Lula da presidência, mas para forçá-lo a se neoliberalizar, e, assim, fazer o jogo das elites dominantes, passando a ser quem dá as cartas ... mas conquanto favoreça a multiplicidade de interesses em jogo nesse jogo das elites. Lula não cai ... do poder, porque já está caindo no jogo ditado pelas elites que dominam o país há largo tempo. O objetivo de certas e pseudas pressões tem esse único vetor.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Celso Gilberto de Oliveira: a vida por uma causa
Nos tempos de adolescência e dos muitos jogos e brincadeiras na rua Frederico Guilherme Ludwig, lembro do jovem amigo Celso Gilberto de Oliveira, que lá também morou. Muitas vezes esteve na nossa casa jogando “futebol de botão” e participando de algumas rodas de bate-papo descontraído. Simpático, sempre de bom humor e de pouca fala.No ano de 1966 um grupo de jovens adolescentes, embalados e inspirados nos Festivais de Música Popular Brasileira, da TV Record, projetou a realização de um festival de música na cidade. Muitos daqueles jovens compunham excelentes letras e músicas. O local da exibição seria o Clube Cultural Canoense, onde já havíamos realizado algumas reuniões. Lembro, pelos registros que fazia na minha coluna no semanário O Timoneiro, que a Comissão Organizadora era presidida pelo jornalista José Ribeiro Fontes (presidente), Luiz Carlos Schneider e Bruno Pagot (secretários), Manoel Airton Aquino Guerra e Ivo da Silva Lech (tesoureiros), Carlos Gilberto Fernandes de Vargas (relações públicas) Paulo Jéferson Mendes e este blogueiro (departamento de divulgação). E lá, em algumas reuniões, esteve por vezes, por achar a idéia do festival muito boa, o amigo Celso, com o propósito de colaborar.
Era o tempo da ditadura fardada, como se refere o jornalista Mino Carta. Regime de arbítrio e de caça aos opositores do novo regime que não aceitavam o sistema político ditatorial-militar. O Brasil havia sofrido um golpe militar na calada da noite do dia 31 de março para 1º de abril de 1964. As forças do Exército já haviam ocupado os pontos estratégicos e os militares tomado o poder à força. O presidente João Goulart, o Jango, havia determinado que fosse evitado por todos os meios o derramemento de sangue. E assim se fez. Acompanhado pelo general Argemiro de Assis Brasil, então ministro da Casa Militar, Jango se exilou no Uruguai. Os militares se acomodaram no Palácio do Governo e passaram a ditar normas, leis e Atos Institucionais. O pior e mais grave, o famigerado AI-5, veio em 13 de dezembro de 1968, mesmo depois do veemente discurso proferido por Ulisses Guimarães, em Campos, na Bahia, quando asseverou: "Na cadeira de Rui Barbosa, que representou as tradições libertárias desta Estado, não podem sentar os penetras indicados pela oligarquia e pelos conchavos entre amigos e parentes".
E mais disse Ulisses: "Vocês ouvem falar do achatamento salarial. Vocês ouviram falar e de se tomar providências do achatamento dos lucros criminosos que fazem a opulência de poucos e enchem as burras e as arcas das multinacionais, fazendo com que tenhamos uma sangria às avessas, o sangue e o suor dos trabalhadores para enriquecer outras pátrias, outrso países?". E concluiu com enfática coragem: "Baianos, marchemos para a vitória a 15 de novembro. Baioneta não é voto e cachoro não é urna".
Em 1970 o Brasil inteiro, levado pela institucional propaganda indutiva, torce e vibra com a seleção de futebol no México, ano em que o Brasil, coincidentemente, conquista o tricampeonato mundial de futebol e, em definitivo, a Taça Jules Rimet. Enquanto isso, distante da opinião pública, prisioneiros políticos eram torturados nos porões da ditadura militar e inocentes passaram a ser vítimas da violência e das barbáries que foram impetradas nos 21 anos de duração do caos moral e político, quando só pensar em voz alta já era um inimaginável risco. E, em meio à euforia do milagre econômico e da vitória da Seleção na Copa de 1970, emerge a idéia da realização de um filme-denúncia. O quadro das bárbaras atrocidades inspirou o diretor Roberto Farias (“Assalto ao Trem Pagador”) a realizar Prá Frente, Brasil, filme onde todos esses acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e desaparece. Conforme edição da revista Veja, por ocasião do lançamento do filme, a enigmática história do desaparecimento de Celso Gilberto de Oliveira teria sido uma das inpirações à realização do filme.
Sequer algum de nós, do grupo que projetava o festival, imaginava ou desconfiava do envolvimento do amigo Celso com grupos revolucionários do centro do país. Quando tinha que viajar para o Rio de Janeiro, Celso alegava estar trabalhando na Enciclopédia Barsa, até porque no Rio era mais fácil prá vender, justificava. Outras vezes “arranjava” viagens para outros lugares. Mas jamais abriu ou deixou desconfiar que era um ativista militante do MR-8. Só depois de sabê-lo morto é que tomei conhecimento através do seu companheiro de ideal revolucionário, Paulo Rocha da Rocha, que também esteve preso no Doi-Codi, e cujos registros no então SNI – Serviço Nacional de Informação - devem confirmar.
O propósito desta crônica – que também é uma homenagem ao amigo e herói anti-redentora - me veio à idéia ao navegar pela Internet e me deparar com o site Desaparecidos – Grupo Tortura Nunca Mais. Apesar que, o jornal Gazeta de La Stampa, sob minha direção e editoria, nos anos 90, já havia publicado matéria a respeito dos presos e desaparecidos no período do arbítrio, incluindo o general Argemiro de Assis Brasil, que foi preso logo após retornar do local do exílio do presidente Jango, e que, enquanto sobrevivendo como professor, morou em Canoas, no edifício da rua Tiradentes, nº 17, esquina BR-116; e o médico e ex-vereador Edson Medeiros.
“Vi, então, ainda jovem, que os problemas decorrentes de nossa estrutura social, imobilizada pelos interesses das classes dominantes, se agravavam com a eficácia e a eficiência da exploração permanente daqueles novos senhores”. A frase do general Argemiro de Assis Brasil, mesmo dita em tempo anterior à ditadura militar, define perfeitamente o clima que passava a existir no que na década seguinte passou a ser definido como Anos de Chumbo.
Celso e Paulo foram presos na mesma época, com alguns dias de diferença. Daí, conta o ativista Paulo da Rocha, que a última vez que ouviu a voz do amigo Celso foi durante um interrogatório numa das celas do Doi-Codi, que ficava próximo a que se encontrava. Disse que apenas ouvia os berros dos carrascos, tipo “fala seu filha da p...”, “nós vamos fazer tu falar ...” e coisas mais. E o Celso nada de responder. Silêncio absoluto. Fidelidade absoluta à causa. Até que num dado momento, enquanto era torturado com socos, ponta-pés e choques impetrados pelos carrascos da ditadura, Celso revidou com uma cuspida no rosto de um dos seus algozes. Paulo disse que sabia que era cuspida porque o próprio algoz bradou em voz alta e em tom hiper irritado: “Esse filho da p... cuspiu na minha cara”.
A história, ainda segundo Paulo, é que depois disso teriam levado o Celso para um passeio num camburão do Exército. No meio do caminho, em local ermo e rodeado de mato, teriam parado o camburão, abrido a porta traseira e dito: “Se tu quesé vivê, corre! Te manda! Não olha prá trás!”. E Celso correu em direção ao mato e à liberdade, mas nunca mais pode olhar prá trás e nem para lugar algum, as balas covardes e traiçoeiras dos carrascos foram mais rápidas e o alcançaram pelas costas.
Era um dia do mês de dezembro de 1970. E assim chegava ao fim a luta de um jovem por um ideal de liberdade ... e de um suplício, que suportou com fidelidade.
CELSO GILBERTO OLIVEIRA no esporte em Canoas

Homenagem ao canoense com a denominação de Rua Celso Gilberto Oliveira, no Rio de Janeiro.

Mapa mostrando a localização da Rua Celso Gilberto Oliveira, que homenageia o jovem canoense assassinado em dezembro de 1970, no período da Ditadura Militar.
terça-feira, 13 de março de 2007
Pan Pan ra-ram-pan ... Pan Pan!
domingo, 11 de março de 2007
O aprimoramento da imprensa
Lembro dos anos em que sentia orgulho da imprensa citadina. De minha parte, por ter contribuído para o aprimoramento da qualidade informativa e uma imprensa com posicionamentos jornalísticos éticos e profissionais. Em proveito da independência e do respeito que tantos os jornais quanto os jornalistas (excluem-se os "profissionais da comunicação", posto que esses pertencem a outra "raça".
De sempre, quando me permito algumas observações a respeito, vejo a imprensa local, assim como os clubes sociais, numa incontida decadência jornalística. Os jornais, quinzenários ou mensários, viraram informativos de gabinete e "copidesque" de uma comunicação virtual.
Apenas o Timoneiro, com as devidas ressalvas de propósitos, ainda se mantém equidistante do um jornalismo servil, os demais se tornaram "lázarianos", mas nem migalhas sob a mesa oficial encontram. O lauto é oferecido à imprensa da capital. Pouco se vê na imprensa local sobre Canoas, e quando tal acontece a lambeção.
A imprensa citadina, a bom tempo, optou pelo silêncio e manter-se a eqüidistância da realidade factual. Talvez fosse oportuno reescrever a história da imprensa canoense, para incluir informações sobre as aventuras tipo HQs.Além de "A Imprensa de Papel", que sem mais nem menos acontecerá, ressurgirá, em brevíssimo espaço de tempo, uma surpreendente novidade nada virtual para resgatar os 98 anos de imprensa canoense, que se deverá, por justiça histórica, comemorar em 10 de agosto próximo, ainda que uma orquestração afinada pelo mesmo diapasão, e dissonante com a história, continue na contra-corrente da factualidade memorial.
Quem viver, verá!
terça-feira, 6 de março de 2007
Sob uma cortina de fumaça
A bem da sacrossanta verdade, essa é uma matéria que freqüento com dificuldade. Mas ao mesmo tempo, tudo me parece de uma simplicidade caseira, enquanto os grandes jogadores do mercado de capitais, os políticos e as elites dominantemente esclarecidas, com suas criatividades invejáveis, e seu jogo de engodos lépidos e surpreendentes, volta e meia criam formas e fórmulas acobertadas por siglas, para uma locupletagem desvairada. Com dificuldades, posto que jamais me sentei num banco de universidade de economia.
Mas tudo tem a ver com a nossa espoliada Canoas. "Download" do espoliado território que se estendo, continentalmente, do Iapoque ao Chuí. Pelos dados, as informações e estatísticas divulgadas (acredita-se até prova em contrário), Canoas é o município do Rio Grande do Sul que mais arrecada. Só perde para a capital Porto Alegre. Há bom tempo se ressentede investimentos nas áreas sociais, pois, que não se vê e nem se sabe de aplicações em serviços ou obras que justifiquem o consumo de tanta grana. A cidade está literalmente jogada às traças, às moscas, aos malandros e aos mal educados. Calçadas, praças, patromônio histórico, escolas, postos de saúde, o "Gracinha", tudo se deteriorando ante a indolência das autoridades municipais.
Por outro, surprendo-me ao ler no semanário O Timoneiro, que a Câmara de Vereadores aprovou o empenho do ICMS. Assim como aprovou um empréstimo em banco internacional de US$ 32 milhões. Penso cá com meus já conturbados botões: onde conseguem gastar tanto dinheiro? E se realmente Canoas é o município que mais arrecada no Estado, e está empenhando receita e fazendo empréstimos prá se manter viva, como deverão estar os outros municípios mais pobres? E os recém criados?
Desculpem-me a ignorância, apenas somos cidadãos honrados e jornalistas (não confundir com "profissionais da comunicação", pois esta trata-se de outra subjugada categoria) intocáveis. E, assim, estamos em busca da realidade. Uma realidade lógica e consubstanciada, obviamente.
Estamos, é como se pode constatar, sob uma verdadeira cortina de fumaça. Cego, pela obviedade lógica, não sou. Mas às vezes chego a pensar que estou tendo problemas de ordem oftalmológicas.
---------------------------------------------
IMPORTANTE: Quem postar comentário visando ganhar um livro de presente, não esqueça de enviar seus dados completos, endereços, etc. para o e-mail: la-stampa@ig.com.br, OK?
sexta-feira, 2 de março de 2007
Presentes aos internautas

Prêmios para a galera. A partir de hoje estarei presenteando 10 internautas que acessarem e postarem seus comentários neste blog com livros de minha autoria. Serão cinco exemplares de "Desatando o Nó da Gravata", publicado em 1996, e cinco exemplares de "Locomotivas - Um Tributo à Mulher", publicado em 2001. Portanto, os 10 primeiros que postarem comentários dizendo o que acham, críticas ou sugestões, levarão um presente.
Todos apostos no "patidor". Foi dada a partida ..
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Lavanderia CEF
Já no ano passado houve denúncias de que a Mega Sena servia de "lavagem de dinheiro" a muitos membros das elites "fora da lei". No final de semana novas denúncias vieram à tona, e feitas pelo mesmo deputado. Ganhadores acertaram, não exatamente o prêmio maior, mas centenas de vezes prêmios menores. Um tem tanta sorte, mas tanta sorte que já "acertou" 525 vezes na quina da Mega Sena. Isso me leva à lembraça do "abençoado pela sorte", o ex-deputado João de Deus, que "acertara" mais de quatrocentas vezes nos prêmios da Mega Sena.
As notícias na mídia foram en passant, logo depois da denúncia. No dia seguinte, ao contrário do que foi feito com a barbárie da morte do menino João, que ficou no ar por cerca de doze a quinze dias, a mídia simplesmente se omitiu. Acumpliciou-se. Não quero acreditar que haja uma perfeita afinação da mídia com a Caixa Econômica, e menos uma blindagem.
Mas que é muito, muitíssimo estranho, isso é.
Segundo a Constituição, a chamada Carta Magna, tem sido desrespeitada uma multiplicidade de vezes pelos próprios legisladores. Assim, num país onde o jogo de azar é taxativamente proibido, logo uma estatal é quem faz o papel de "banca" e detém e controla o maior Cassino, quiçá, do mundo. São cerca de oito opções de apostas. Como não fosse suficiente, vem aí - não percam torcedores doentes - a Clubemania. Façam logo suas apostas, a "caixinha já vai correr". E não deixem o seu clube do coração quebrar ... e nem os pobres e bem intencionados cartolas. Estes em especial!
Uma nova loteria (os governos encontraram um belo e facilitado nicho, tornado legal, para tirar mais dinheiro do povo) que, além de mais uma vez tomar o dinheiro dos crédulos e ingênuos, servirá para acoberta os rombos deixados pelos cartolas dos times de futebol. E, como já é praxe nesse sempre espoliado "patropi", quem vai pagar essa monstruosa conta é o povo. Digo, os fanáticos torcedores.
Quem viver, verá!
Observatório 3
* Com todo esse desdobrar que ainda e cada dia mais vai haver, sensatamente, quem perde, administrativamente, com certeza e sem a menor sombra de dúvidas, é Canoas e os canoenses. Enquanto existir esse ti-ti-ti em torno de prováveis candidaturas as obras ficam paradas e os serviços perdem em eficiência e qualidade ... mas o carnaval e as festas ganham em “quantidade”.
* O caso do desabamento nas obras do Metrô, em São Paulo. Um governador que assina um contrato com o “Consórcio Via Amarela” (um pool de empreiteiras), e que obriga o Estado a pagar pelo serviço, sem poder fiscalizar - só mediante pagamento de multa contratual -, comete, no mínimo, um crime contra o patrimônio público e o erário. Assim procedeu o ex-governador Geraldo Alckmin no caso das obras do Metrô. Foi o que a mídia demonstrou, mas não disse claramente.
* Encontro casual me revelou que a Fundação Cultural de Canoas recebe uma verba oficial, ou seja da Prefeitura Municipal de Canoas, de R$ 300 mil / ano, além das contribuições espontâneas e as taxas cobradas dos diferentes cursos lá realizados. O presidente e uma funcionária da FCC são funcionários públicos. Além da consevação do material e das exposições, apenas dois funcionários com simples funções recebem salário, como a faxineira. E dizem que faltam recursos?
* O sonegador de tributos, cuja grande maioria pertence a elite dominante, tem que ser tratado como “criminoso comum”, sem privilégios e delongas jurídicas. No período de 2002 a 2006, no Estado, denunciou um levantamento do atual governo estadual, a sonegação chegou próximo aos R$ 7 bilhões, excetuados os períodos anteriores. Para 2007 a sonegação estimada – pelo atual governo da paulista Yeda Crusius - é de R$ 1 bilhão e 100 milhões.
E existem apenas 421 fiscais da Receita, enquanto, que os ineficazes CCs estaduais e municipais (os “trenzinhos da alegria”, mais acomodam familiares e parentes, num desavergonhado nepotismo). Nos poderes executivos e legislativos, pululam abusivamente, sem que apresentem resultados positivos aos contribuintes.
* A paulista governadora dos gaúchos, Yeda Crusius, assegurou durante a campanha, que iria por a casa em ordem quanto a questão das despesas. Pois, não é que a primeira medida foi pedir aprovação à Assembléia Legislativa para aumentar impostos. Prá quê? Para que os “criminosos da apropriação indébita” se locumpletem ainda mais? Basta cobrar, com a parceria e agilidade do Judiciário, o que foi sonegado que a casa ficará em ordem, sem mais sacrifícios da sociedade. Em quatro, conforme levantamento e anúncio do atual governo, anos foram R$ 7 bilhões sonegados. E Yeda Crusius irá tomar as medidas legais e punitivas cabíveis?
* Pois, está mais do que na hora de se criar leis, objetivas e sem dubiedade, para acabar com os “trenzinhos da alegria” (leia-se CCs) - e pior, sem limites -, assim como tratar a corrupção e a sonegação como crimes hediondos. Portanto, sem direito à fiança e outras costumeiras e casuísticas benesses jurídicas sempre reconhecidas em favor dos políticos e membros da elite feudal.
* Pois, fico sabendo, oficiosamente, o que me remete ao caso da suspeita extinção do Grêmio Niterói e me faz incrédulo, que, além da perda de uma ação trabalhista na ordem de R$ 23 mil, o Canoas Country Clube teria negociado (?) um terço da sua nobre área de 21,5 hectares.
Por falar nisso, seria interessante ter notícias sobre o Processo Nº 00800472654, que o “Clube Verde e Prata” move contra o ex-presidente, que gestou o clube de 1994 a 1998, e teria, eram os comentários à época, provocado um “rombo” de US$ 100 mil (leia-se dólares).
* Ouço, e não quero acreditar, que o tradicional Clube Cultural Canoense, fundado em 1933, anda às voltas com uma dívida resultante de encargos sociais na ordem de R$ 240 mil
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Observatório 2
* Pela raia da coréia, e até por não contar com o apoio e a simpatia da maioria dos seus correligionários de partido, deverá fazer páreo o ainda peessedebista Ayrton Souza, cuja aceitação no último pleito para a Assembléia Legislativa o crendencia como candidato à Prefeitura de Canoas.
* Os prováveis candidatos não páram por aí. Jairo Jorge, que já concorreu a prefeito e já foi o vereador mais votado em Canoas, nas eleições de 1982, vem com força para a disputa: é o atual pró-reitor para Assuntos Institucionais da Ulbra. Concorre, internamente, com o deputado federal Marco Maia, super bem votado nas últimas eleições.
* Outras dobradinhas, nada descartáveis e tornadas cartas guardadas na manga, poderão se formar com o andar da carruagem, como Coffy Rodrigues (PDT) e Nedy Vargas Marques (PTB) e Jurandir Maciel (a escolher um partido) e o candidato que será indicado pelo PT. É como jogo de truco: é pagar prá ver!
* Em suma: ou teremos uma enxurrada de candidatos e aí será difícil arriscar um prognóstico, ou vai acontecer uma montagem com o propósito de não diluir e nem abrir brechas e correr o risco de entregar o comando da política local a outra corrente. É exatamente isso que os tucanos e os petebistas não querem.
Por enquanto muita especulação, mas poderá estar havendo, como no jogo de truco, um blefe decisivo.
* Na última eleição para Presidente da República e o governo do Estado, viu-se o atual "establishment" em queda. Lula e Olívio Dutra, em Canoas, fizeram mais votos que os oponentes Geraldo Alckmin e a eleita governadora Yeda Crusius, mesmo com o total apoio do grupo dominante. Esse é um ponto que está sendo levado em conta pelos prefeituráveis opositores.



