
sábado, 12 de maio de 2007
A Igreja, a Emoção Litúrgica e Suas Pregações Contraditórias

A Imprensa Cega, Muda e Surda
Apesar da boa intenção e do sentido de envolver, democraticamente, a população na escolha do Patrono da 23ª Feira do Livro de Canoas, esboçado pelo Departamento de Cultura da SMEC, o sistema deixou a desejar, posto que permitiu aos internautas votarem tantas vezes quantas desejassem, fosse em apenas um ou mais patronáveis.
Assim, o resultado apurado e oficializado via site da Prefeitura Municipal, nos mostra que cerca de 10% da população canoense participou do processo de votação, sendo apurado um número de votos tão expressivos que causa inveja até mesmo aos candidatos que concorreram a deputado estadual na última eleição.
Ou a divulgação da campanha pró eleição do patrono - e aqui a ressalva de que em absoluto estamos nos inserindo contra o patronável eleito, pessoa que conhecemos como absolutamente idônea, professor, escritor e procurador de Justiça de alto nível ético e profissional, e que nos anos 60, então no extinto Colégio Comercial de Canoas, foi nosso professor de português, com irreprimível competência - deflagrada pelo Departamento de Cultura, via site da Prefeitura Municipal de Canoas, teve repercussão além do nosso conhecimento ou, no comparativo, os candidatos de Canoas à deputação estadual não tiveram a mesma competência para sufragar tão expressiva votação nas urnas.
Pois, é surpreendente o que foi divulgado como votação para patrono da Feira do Livro, 32.988 votos, visto que tal representa cerca de 10% da população de Canoas, que, segundo o censo do IBGE de 2006, é de 333 mil habitantes, feito, portanto, invejável, ainda mais em processo via internet, não fosse, obviamente, o sistema permitir que se pudesse votar tantas vezes quanto desejadas, tanto em um único patronável ou em diversos. E tal, eu próprio pude constatar e comprovar, quando na primeira vez votei seis vezes em dois candidatos diferentes. Não convencido, retornei para confirmar e assim votei mais 15 vezes num único candidato. E o sistema aceitou e registrou todos os 21 votos. Aí a questão: Há 33 mil canoenses com acesso à internet?
Dias antes a votação já havia sido suspensa, como alertava o próprio site da Prefeitura Municipal, por registrar mais de um milhão de votos. Fato também registrado pelo jornalista Túlio Moreira, em sua coluna "Contraponto" no jornal virtual Correio de Notícias.
Porém, mesmo diante do envio de e-mails, revelando a constatação de tão expressiva votação, nenhum jornal da imprensa tupiniquim citadina, fez qualquer menção ao fato e sequer procurou averiguar a factualidade do feito. Omissa, a imprensa fez-se de cega, muda e surda. Um estranho silêncio completo, o que nos leva a concluir que há uma certa cumplicidade por deixar de manifestar-se quando deveria fazê-lo, se esse é o seu papel. É como diz o ditado: "Quem cala, consente".
De resto, é lamentável.
Resta, pois, torcer para que na 24ª Feira do Livro de Canoas tal não se repita, para a boa credibilidade do precosso eletivo, o que tornará o resultado mais insuspeito e transparente.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
O retorno da Gazeta de La Stampa

Agora a GAZETA DE LA STAMPA circulando com new look, e com mais informações, mais consciência e com a habitual independência. Um jornal que retornou para se comunicar com a gente de Canoas e traduzir tudo o que acontece jornalisticamente na cidade.domingo, 25 de março de 2007
A emoção de uma noite de autógrafos
Sempre ouvia elogiados escritores, autores de "best sellers" falarem que a noite de autógrafo é sempre um momento de grande expectativa, nervosismo e muita emoção. Achava aquilo uma demagogia, uma forma de tornar o momento ainda mais importante, curioso e atrativo como pontual de marketing. Mas o tempo foi passando, até que em 1996, incentivado pelo jornalista, professor e crítico literário Eduardo Jablonski, que fez a seleção dos textos, publiquei o meu primeiro livro, "Desatando o Nó da Gravata". Sem ruído, sem badalação, no melhor estilo à mineira. Apenas uma notinha no meu próprio jornal. Lhufas de vendas ou de gente procurando pelo livro. As pessoas não procuraram. Passei a curtir uma espécie de frustração, apesar da emoção, quase de um pai quando nasce um filho.
De repente o amigo, "coiffeur" e hoje também cronista social Sony Souza e sua esposa Negrinha, me ligaram oferecendo o seu salão Sony Cabeleireiros, então na rua Pedro Weingartner, espaçoso e requintado, para a noite de autógrafos. Me senti mais tímido do que sempre. Aceitei, ainda mais que eles se encarregavam da organização, dos comes e bebes e de efetivar os convites. Comecei a ficar meio bobo, como uma crainça quando ganha um brinquedo. Parecia não acreditar que dali a pouco estaria lá sentado, de caneta em punho e dando autógrafos sei lá a quantas pessoas. Não fazia idéia do número e nem quem eram os convidados. Tudo ficou a cargo do casal Sony e Negrinha, que promoveram um encontro misto de festa e cultura. Era o primeiro evento do gênero em Canoas.
Lá chegando me misturei aos cerca de 70 convidados. O espaço, apesar de amplo para um salão de beleza, não suportava mais do que tal número de pessoas. Os livros dispostos sobre uma mesa para serem autografados. Imaginei se autografasse uns dez me sentiria prestigiado, realizado.
A filha do Sony cuidada da venda dos livros (R$ 27,00 o exemplar). Assim que me postei formou-se uma fila. Não fosse uns bons goles de whisky, que deu equilíbrio à minhas mãos trêmulas, talvez não conseguisse sequer assinar, quanto mais me inspirar para as óbvias e imprescindíveis dedicatórias.
Autografei naquela primeira noite 58 livros. Uma quase realização. E lá estavam personalidades de destaque da sociedade, da literatura e da política, como o advogado e ex-prefeito Luis Jerônymo Busato, o escritor Walter Galvani, os empresários Denério Rosales Neumann, Osório Victor Biazus, Gercino Ferreira dos Santos, e as socialitès, Zilma Minella Biazus e Maria Iza Dall´Agnol, entre mais e mais nomes. E não apenas autografei, como algumas pessoas fizeram questão de posar para os "flashes" tanto quando eu autografava, quanto depois em descontraídos bate-papos, enquanto não faltavam os incentivadores elogios ao meu primeiro trabalho.
Foi por demais importante aquela noite de autógrafos organizada pelo "coiffeur" e hoje também cronista social Sony e Negrinha Souza.
Em decorrência, dias depois estava eu novamente eutografando o livro "Desatando o Nó da Gravata" na Paiong Boutique, no Conunto Comercial Canoas. Para umas 18 mulheres da sociedade de Canoas e algumas de Porto Alegre, como a filha do médico que fez a primeira cirurgia de osteomielite na minha perna esquerda, dr. Rui Fortini, ainda no hospital de Garibaldi, minha "capital da champegne" natal, Vera Lia Fortini Cavalheiro, e a ex-primeira-dama de Canoas, Rose Mari Broch Guindani e Edy Maria Soares Majewski, ambas, juntamente com outras mulheres, entraram na fila dos autógrafos. Total 15 livros autografados entre 18 presenças. Evento, como disse que reuniu o who ´s who do mulherio da sociedade canoense nos meados da década de noventa, e assim não podia deixar de ser regado a champagne de boa safra.
É muito gratificante, ainda mais quando de 4.240 exemplares publicados em quatro livro, se alcançou 94,2% em vendagem.
Esse é o prêmio que sempre se espera quando se publica um livro. Acredito, por isso, e até hoje, que eu seja o autor mais premiado da cidade.
sábado, 24 de março de 2007
Brasileiro, Profissão Marginal
Vou prá sala e acesso a Internet. Levei o maior choque. Apesar de que não fora tanta surpresa, como poderá parecer. Mas o tênue fio de esperança que ainda alimentava se rompeu por definitivo. No blog do Josias de Souza, da Folha Online, a manchete: Câmara vai votar lei que estimula a impunidade. (anúncio de uma prévia auto-defesa). Não acreditando me puz a ler. Conclusão, meu ânimo, minha réstea de expectativa e otimismo em ver um Brasil melhor, mais decente, mais socialista e mais humano caíram para todo o sempre por terra. Tinha já uma consciente tendência ao ceticismo, mas agora me tornei, por motivos incontestáveis, um cético crônico e incurável.
Mino Carta diria, olhei para os meus botões estavam de olhos esbugalhados. Pois, fiz o mesmo, só que para os botões da cueca samba-canção, no melhor estilo anos 40 e 50, quando o pinto ficava tri-solto. Os da calça há muito que caíram por outras como essa. Pois, eles sequer levantaram a cabeça, estavam literalmente cegos, mudos e atônitos, pude comprovar, posto que sabiam da nova desfaçatez dos deputados federais. Só eu fui surpreendido, acredito.
Aí pensei, ainda cá com os botões da minha dourada ceroula, Se gritar pega ladrão, ... será que sobra um. E a profissão dos brasileiros, também vai mudar. De Brasileiro, Profissão Esperança para Brasileiro, Profissão Marginal. Ou isso ou não haverá como sobreviver. A não ser que se tornem todos políticos larápios, corruptos e "caps" de alguma organização de princípios ignóbeis. Ou se doente, poderá pensar e levar a vida como Pangloss, a eterna otimista personagem de Voltaire.
E o mais grave é que os cretinos cometem tais ignobilidades porque sabem que o povo brasileiro é banana, songamonga, e será ainda mais alienado pela mídia cúmplice, não do sistema, como se costuma dizer, mas de um cartel de crápulas formado por governantes, políticos e elite dominante.
E o governo gasta (não confundir com investimento) milhões ou bilhões de reais prá fazer de conta que está combatendo a violência, a criminalidade e as organizações criminosas. Gastaria (aí seria investimento) bem menos se começasse a caçar os larápios, os corruptos e etc, a partir do Congresso. Ou melhor, seria mais rápido e mais barato: mandar gradear o Congresso enquanto os lídimos representes do povo estivessem reunidos, votando auto-aumentos e leis casuísticas e hipócritas (como essa). É só para essas coisas que eles se reúnem. Aí dá quorum, casa cheia para não ter dúvidas.
Me ajuda aí, ô! Cadê a OAB, a FIESP, a FIERGS, o Ministério Público, os Sindicatos e as Federações dos Trabalhadores, como CUT, CGT, etc.
SOS! Cadê a imprensa livre, independente e imparcial, que nesse caso apenas noticiou "en passant", porém não fez o mesmo e demagógico sensacionalismo que fizeram com o caso da morte do João Hélio e da menina Priscila, etc.
SOCORRO! Cadê o Lula, presidente eleitos por 61% do povo brasileiro. Ah! O Lula-lá com seus amigos do peito neoliberais e mais os 513 larápíos aconchavados, tomando aulas sobre neoliberalismo.
Desculpe, Lula, desculpe! Não queria importuná-lo com coisa tão boba, tão merreca, tão insignificante. “Hoje deve ser festa lá no teu apê”, e eu aqui enchendo o teu saco com baboseiras, né?
Et vive le Brazil et la liberté!
sábado, 17 de março de 2007
BR: o país da bur(r)ocracia intencionada
Assim, nos rotineiros casos de corrupção, uma peste que virou praxe, por exemplo, tanto o corruptor quanto o corruptível seriam, da mesma forma, previamente penalizados com a indisponibilidade de todos os seus bens, alargando tais efeitos aos nepotes, para que se erradique a transmissão de bens, e, seguindo o que já reza o CNT, determinar de imediato a cassação dos direitos políticos por um período não inferior a 30 anos, a exemplo da pena máxima prevista no Código Penal.
Tal feito, com a mesma objetividade e conteúdo de propósitos, a saber, se estabeleceria aos contumazes sonegadores, cujos nada mais são do que praticantes de crimes de apropriação indébita e crime de lesa pátria. Segundo Aurélio, no Novo Dicionário da Língua Portuguesa, sonegar é (4) "Tirar às ocultas; furtar, surrupiar; (5) deixar de pagar, (6) ocultar com fraude".
Daí, como entendo, pela realidade dos feitos e conquistas historiadas mundo a fora, que "Ninguém é rico, milionário ou poderoso impunemente".
Por outro, passei a entender, da mesma forma, quais as razões que levam os legisladores a redigirem leis de forma complexa, rebuscada e de senso interpretativo, sem que as substituídas percam seu efeito, assim como passei a entender as razões que levaram os mesmos legisladores a estabelecerem a gama de privilégios jurídicos, cujos só têm alcance os detentores de discriminantes condições sociais, que no Brasil chega no máximo aos 10% dos que estão no pico da pirâmide social. Os da base ... bem estes apenas os rigores da lei.
A bur(r)cracia, na visão dos legisladores, tem lá seus fundamentos e seus propósitos pré-intencionados. Quanto maior e mais complexo for o emaranhado de leis, mais próprio à manipulações de cursos e recursos feitos legais, às sentenças, às benesses e aos privilégios jurídicos, estes só alcançados por um décimo da população brasileira.
Assim, denuncia o juste-milleu vigente, caminha a justiça social no Brasil.
Tomado de completa curiosidade
Diante de tal fato, restou-me fazer o seguinte comentário: "O ministro Tarso Genro, em lugar de divagar como se o único gênio que descobriu a luz do que há séculos é factualidade, deveria denunciar e promover uma forma de acabar com os desmandos, não apenas na manipulação da opinião pública que a mídia faz, como sempre fez, mas quanto ao crime de extorsão por indução que todos os canais de televisão (excetua-se a TVE / Cultura) através de pseudos sorteios de prêmios em bens materiais ou dinheiro, via ligações telefônicas cobradas. E muitas sequer atendidas, mas apenas respondidas através de uma gravação na secretária eletrônica, como vem sendo o caso do programa Hoje em Dia, da TV Record, apresentado pelo trio: Brito Júnior, Ana Hickmann e Eduardo Guedes. Fiz o teste e tenho documentos comprobatórios de tal falcatrua. E o mais grave é que, através dos quiz as TVs induzem crianças e adolescentes a gastarem em ligações, com as quais faturam altíssimo em conluio com as concessionárias de telefonia e operadoras, com propostas (perguntas) meramente alienantes e com o objetivo primeiro de faturar. O BBB7, só de inscrições (e isso é uma fria, posto que tudo é manipulado) faturou cerca de R$ 4 milhões só com inscrições de candidatos ao programa. Um crime de extorsão por indução, já que não existe a tal de seleção dos inscritos. E sequer há uma fiscalização oficial. Além disso, e tal é sabido por toda a imprensa, mas ninguém denuncia, as ligações para eliminar esse ou aquele personagem do programa são régia e indevidamente cobradas. Quando se sabe que tudo gira em torno de decisões tomadas única e exclusivamente pela própria produção/direção do programa. Isso, segundo o bom senso de justiça, é crime contra a economia popular, é crime de extorsão, repito, por indução, quando na realidade é um jogo de engodo. Essas coisas é que a imprensa (dita livre e independente) e o Ministrro Tarso Genro devem denunciar também e especialmente. Será que teremos algum ministro, algum jornalista ou algum órgão de imprensa com "c... roxo" prá tanto? Eu continuo duvidando que haja alguém com coragem para tanto! E aí restará, mais uma vez, a prova de imparcialidade da mídia e dos profissionais de comunicação, como classifica Mino Carta. Aliás, ao próprio já enviei matéria refente, mas até hoje sequer uma resposta. Silêncio total e cumpliciador. Vou aguardar ...
Por fim, mais um comentário postado no Blog do Paulo Henrique Amorim, inspirado na surpreendente descoberta do Ministro Tarso Genro: "Incrível! Como o Ministro Tarso Genro, tido como uma das melhores "cabeças" da política brasileira e, a exemplo da grande maioria dos governantes e políticos brasileiros adeptos do jogo do truco, levou tanto tempo prá descobrir o "óbvio ululante", como dizia o dramaturgo Nelson Rodrigues. Quanto as tais e promocionais CPIs - é só prá isso que servem - faz parte do jogo de truco que vigora há muito no Brasil. É um jogo, não prá derrubar o Lula da presidência, mas para forçá-lo a se neoliberalizar, e, assim, fazer o jogo das elites dominantes, passando a ser quem dá as cartas ... mas conquanto favoreça a multiplicidade de interesses em jogo nesse jogo das elites. Lula não cai ... do poder, porque já está caindo no jogo ditado pelas elites que dominam o país há largo tempo. O objetivo de certas e pseudas pressões tem esse único vetor.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Celso Gilberto de Oliveira: a vida por uma causa
Nos tempos de adolescência e dos muitos jogos e brincadeiras na rua Frederico Guilherme Ludwig, lembro do jovem amigo Celso Gilberto de Oliveira, que lá também morou. Muitas vezes esteve na nossa casa jogando “futebol de botão” e participando de algumas rodas de bate-papo descontraído. Simpático, sempre de bom humor e de pouca fala.No ano de 1966 um grupo de jovens adolescentes, embalados e inspirados nos Festivais de Música Popular Brasileira, da TV Record, projetou a realização de um festival de música na cidade. Muitos daqueles jovens compunham excelentes letras e músicas. O local da exibição seria o Clube Cultural Canoense, onde já havíamos realizado algumas reuniões. Lembro, pelos registros que fazia na minha coluna no semanário O Timoneiro, que a Comissão Organizadora era presidida pelo jornalista José Ribeiro Fontes (presidente), Luiz Carlos Schneider e Bruno Pagot (secretários), Manoel Airton Aquino Guerra e Ivo da Silva Lech (tesoureiros), Carlos Gilberto Fernandes de Vargas (relações públicas) Paulo Jéferson Mendes e este blogueiro (departamento de divulgação). E lá, em algumas reuniões, esteve por vezes, por achar a idéia do festival muito boa, o amigo Celso, com o propósito de colaborar.
Era o tempo da ditadura fardada, como se refere o jornalista Mino Carta. Regime de arbítrio e de caça aos opositores do novo regime que não aceitavam o sistema político ditatorial-militar. O Brasil havia sofrido um golpe militar na calada da noite do dia 31 de março para 1º de abril de 1964. As forças do Exército já haviam ocupado os pontos estratégicos e os militares tomado o poder à força. O presidente João Goulart, o Jango, havia determinado que fosse evitado por todos os meios o derramemento de sangue. E assim se fez. Acompanhado pelo general Argemiro de Assis Brasil, então ministro da Casa Militar, Jango se exilou no Uruguai. Os militares se acomodaram no Palácio do Governo e passaram a ditar normas, leis e Atos Institucionais. O pior e mais grave, o famigerado AI-5, veio em 13 de dezembro de 1968, mesmo depois do veemente discurso proferido por Ulisses Guimarães, em Campos, na Bahia, quando asseverou: "Na cadeira de Rui Barbosa, que representou as tradições libertárias desta Estado, não podem sentar os penetras indicados pela oligarquia e pelos conchavos entre amigos e parentes".
E mais disse Ulisses: "Vocês ouvem falar do achatamento salarial. Vocês ouviram falar e de se tomar providências do achatamento dos lucros criminosos que fazem a opulência de poucos e enchem as burras e as arcas das multinacionais, fazendo com que tenhamos uma sangria às avessas, o sangue e o suor dos trabalhadores para enriquecer outras pátrias, outrso países?". E concluiu com enfática coragem: "Baianos, marchemos para a vitória a 15 de novembro. Baioneta não é voto e cachoro não é urna".
Em 1970 o Brasil inteiro, levado pela institucional propaganda indutiva, torce e vibra com a seleção de futebol no México, ano em que o Brasil, coincidentemente, conquista o tricampeonato mundial de futebol e, em definitivo, a Taça Jules Rimet. Enquanto isso, distante da opinião pública, prisioneiros políticos eram torturados nos porões da ditadura militar e inocentes passaram a ser vítimas da violência e das barbáries que foram impetradas nos 21 anos de duração do caos moral e político, quando só pensar em voz alta já era um inimaginável risco. E, em meio à euforia do milagre econômico e da vitória da Seleção na Copa de 1970, emerge a idéia da realização de um filme-denúncia. O quadro das bárbaras atrocidades inspirou o diretor Roberto Farias (“Assalto ao Trem Pagador”) a realizar Prá Frente, Brasil, filme onde todos esses acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e desaparece. Conforme edição da revista Veja, por ocasião do lançamento do filme, a enigmática história do desaparecimento de Celso Gilberto de Oliveira teria sido uma das inpirações à realização do filme.
Sequer algum de nós, do grupo que projetava o festival, imaginava ou desconfiava do envolvimento do amigo Celso com grupos revolucionários do centro do país. Quando tinha que viajar para o Rio de Janeiro, Celso alegava estar trabalhando na Enciclopédia Barsa, até porque no Rio era mais fácil prá vender, justificava. Outras vezes “arranjava” viagens para outros lugares. Mas jamais abriu ou deixou desconfiar que era um ativista militante do MR-8. Só depois de sabê-lo morto é que tomei conhecimento através do seu companheiro de ideal revolucionário, Paulo Rocha da Rocha, que também esteve preso no Doi-Codi, e cujos registros no então SNI – Serviço Nacional de Informação - devem confirmar.
O propósito desta crônica – que também é uma homenagem ao amigo e herói anti-redentora - me veio à idéia ao navegar pela Internet e me deparar com o site Desaparecidos – Grupo Tortura Nunca Mais. Apesar que, o jornal Gazeta de La Stampa, sob minha direção e editoria, nos anos 90, já havia publicado matéria a respeito dos presos e desaparecidos no período do arbítrio, incluindo o general Argemiro de Assis Brasil, que foi preso logo após retornar do local do exílio do presidente Jango, e que, enquanto sobrevivendo como professor, morou em Canoas, no edifício da rua Tiradentes, nº 17, esquina BR-116; e o médico e ex-vereador Edson Medeiros.
“Vi, então, ainda jovem, que os problemas decorrentes de nossa estrutura social, imobilizada pelos interesses das classes dominantes, se agravavam com a eficácia e a eficiência da exploração permanente daqueles novos senhores”. A frase do general Argemiro de Assis Brasil, mesmo dita em tempo anterior à ditadura militar, define perfeitamente o clima que passava a existir no que na década seguinte passou a ser definido como Anos de Chumbo.
Celso e Paulo foram presos na mesma época, com alguns dias de diferença. Daí, conta o ativista Paulo da Rocha, que a última vez que ouviu a voz do amigo Celso foi durante um interrogatório numa das celas do Doi-Codi, que ficava próximo a que se encontrava. Disse que apenas ouvia os berros dos carrascos, tipo “fala seu filha da p...”, “nós vamos fazer tu falar ...” e coisas mais. E o Celso nada de responder. Silêncio absoluto. Fidelidade absoluta à causa. Até que num dado momento, enquanto era torturado com socos, ponta-pés e choques impetrados pelos carrascos da ditadura, Celso revidou com uma cuspida no rosto de um dos seus algozes. Paulo disse que sabia que era cuspida porque o próprio algoz bradou em voz alta e em tom hiper irritado: “Esse filho da p... cuspiu na minha cara”.
A história, ainda segundo Paulo, é que depois disso teriam levado o Celso para um passeio num camburão do Exército. No meio do caminho, em local ermo e rodeado de mato, teriam parado o camburão, abrido a porta traseira e dito: “Se tu quesé vivê, corre! Te manda! Não olha prá trás!”. E Celso correu em direção ao mato e à liberdade, mas nunca mais pode olhar prá trás e nem para lugar algum, as balas covardes e traiçoeiras dos carrascos foram mais rápidas e o alcançaram pelas costas.
Era um dia do mês de dezembro de 1970. E assim chegava ao fim a luta de um jovem por um ideal de liberdade ... e de um suplício, que suportou com fidelidade.
CELSO GILBERTO OLIVEIRA no esporte em Canoas

Homenagem ao canoense com a denominação de Rua Celso Gilberto Oliveira, no Rio de Janeiro.

Mapa mostrando a localização da Rua Celso Gilberto Oliveira, que homenageia o jovem canoense assassinado em dezembro de 1970, no período da Ditadura Militar.
terça-feira, 13 de março de 2007
Pan Pan ra-ram-pan ... Pan Pan!
domingo, 11 de março de 2007
O aprimoramento da imprensa
Lembro dos anos em que sentia orgulho da imprensa citadina. De minha parte, por ter contribuído para o aprimoramento da qualidade informativa e uma imprensa com posicionamentos jornalísticos éticos e profissionais. Em proveito da independência e do respeito que tantos os jornais quanto os jornalistas (excluem-se os "profissionais da comunicação", posto que esses pertencem a outra "raça".
De sempre, quando me permito algumas observações a respeito, vejo a imprensa local, assim como os clubes sociais, numa incontida decadência jornalística. Os jornais, quinzenários ou mensários, viraram informativos de gabinete e "copidesque" de uma comunicação virtual.
Apenas o Timoneiro, com as devidas ressalvas de propósitos, ainda se mantém equidistante do um jornalismo servil, os demais se tornaram "lázarianos", mas nem migalhas sob a mesa oficial encontram. O lauto é oferecido à imprensa da capital. Pouco se vê na imprensa local sobre Canoas, e quando tal acontece a lambeção.
A imprensa citadina, a bom tempo, optou pelo silêncio e manter-se a eqüidistância da realidade factual. Talvez fosse oportuno reescrever a história da imprensa canoense, para incluir informações sobre as aventuras tipo HQs.Além de "A Imprensa de Papel", que sem mais nem menos acontecerá, ressurgirá, em brevíssimo espaço de tempo, uma surpreendente novidade nada virtual para resgatar os 98 anos de imprensa canoense, que se deverá, por justiça histórica, comemorar em 10 de agosto próximo, ainda que uma orquestração afinada pelo mesmo diapasão, e dissonante com a história, continue na contra-corrente da factualidade memorial.
Quem viver, verá!



